16.5.06

HERMÈS


Seus lenços são estampados com cavalos, carruagens e escudos reais. Suas bolsas e acessórios, cujos preços são comparados a carros de luxo, são escandalosamente laranjas em formatos estranhos. Seriam cafonas se não fossem assinadas pelo bom gosto da marca francesa HERMÈS (se pronuncia “êrmés”), sinônimo mundial de sofisticação em artigos de luxo com suas peças elegantes. A marca se especializou em vender sonhos, em traduzir, através de seus produtos, sua filosofia de trabalho e sua forma de enxergar o mundo, como confirma a frase “os melhores presentes vem em uma caixa laranja”. HERMÈS é um mito, um ícone, uma lenda que representa o que há de melhor (e mais caro) no universo do luxo. 

A história 
A tradicional e sofisticada marca francesa HERMÈS, que ficou conhecida mundialmente pela cor laranja, começou sua rica história em 1837 quando um seleiro, chamado Thierry Hermès, abriu uma pequena oficina em Paris onde vendia acessórios em couro como baús para carruagens, selas, rédeas, estribos, cintos com porta-moeda, botas e luvas (tanto longas como curtas). A oficina, localizada em uma região de Paris conhecida como Grands Boulevards, onde na época soavam os cascos dos cavalos, foi chamada inicialmente de Caléche, que depois daria nome a um dos mais conhecidos perfumes da grife. Os produtos eram fabricados com tamanho esmero, que em 1867 suas selas mereceram um importante prêmio na Exposição Universal ocorrida em Paris. Essas selas de cavalos eram vendidas para a aristocracia francesa. Em 1880 foi instalada uma sofisticada loja no número 24 da rua Faubourg Saint-Honoré, época em que o filho do fundador assumiu os negócios e passou a vender também outros objetos feito em couro, como por exemplo, bolsas, pochetes, sacolas e até casacos. Em 1892, a empresa lançou o modelo de bolsa grande, com fechamento feito por duas tiras que prendiam a “tampa” superior. Na verdade, essa seria a essência da bolsa que viria a se tornar o símbolo da HERMÈS.


A partir de 1914, com o advento do automóvel, a marca se reinventou. Isto porque, Adolphe e Émile-Maurice, filhos mais novos do fundador, após uma viagem aos Estados Unidos fizeram uma constatação importante: as pessoas estavam viajando muito mais e com maior facilidade. E foi justamente nisso que os irmãos vislumbraram uma enorme oportunidade para a empresa se desenvolver, oferecendo aos consumidores a linha de malas, com formato e fechamento exclusivos. A técnica do pesponto no couro foi adaptada às linhas de bagagens, bolsas e carteiras em 1918. Uma das novidades da próxima década foi o lançamento, em 1923, das bolsas com zíper, uma grande novidade para época. Ainda nesta década, seu neto, Émile-Maurice, começou a desenhar roupas feitas de couro de veado. Isto culminou com o lançamento da primeira coleção feminina no ano de 1929.


O principal negócio da empresa era a produção artesanal de peças de couro, apesar de ter-se tornado famosa por dois produtos: lenços de seda com motivos equestres e a bolsa de couro em forma de trapézio chamada “Kelly”. A fama internacional dessa bolsa se deve a princesa Grace Kelly. A bolsa de couro foi criada em 1935 e tinha um formato em trapézio, alça curta e fecho em metal. O nome, adotado oficialmente em 1956, foi uma homenagem da marca à princesa de Mônaco, afinal ela jamais se separava de suas bolsas HERMÈS, principalmente em suas frequentes aparições na então cultuada revista americana Life. A mais famosa dessas fotos mostrava a princesa tentando cobrir a barriga com a bolsa HERMÈS para supostamente esconder a gravidez.


Em 1940, quando a Segunda Guerra Mundial fez praticamente sumir o estoque da embalagem de cor bege utilizada pela grife, foi preciso ser trocada pela única cor disponível naquele momento: a laranja. Era o início do surgimento de um símbolo de reconhecimento da marca. Rapidamente, ter um produto embalado em uma caixa laranja, sua cor oficial, passou a ser objeto de desejo de ricos e famosos no mundo inteiro. Quando Émile-Maurice morreu em 1951, seu genro Robert Dumas assumiu o comando dos negócios. Ele foi o responsável pela introdução das gravatas, malas de viagens, toalhas de praia e perfumes da marca no mercado. A tradição de criar objetos para a casa vem desde a origem da marca. No início, eram produzidas apenas pequenas peças como cinzeiros e toalhas. Em 1974, surgiu o departamento Maison, na loja de Faubourg Saint-Honoré, em Paris, com a venda dos primeiros conjuntos de toalhas impressas, conhecidas como Léopards. Atualmente, o departamento de lifestyle do grupo desenvolve coleções de mobiliário para escritório, mesa e tapeçarias. Nos anos de 1980, a marca francesa conquistou um ar despretensioso, sem jamais perder o glamour. Depois de uma passagem gloriosa do designer belga Martin Margiela, a HERMÈS contratou em 2003 o renomado Jean-Paul Gaultier para assumir o posto de estilista da grife. Gaultier, que ficou sete anos no comando criativo da marca, foi substituído em 2011 por Christophe Lemaire, que assumiu a divisão feminina de prêt-à-porter.


Outra aposta mais recente da marca francesa foi a criação em 2009 da PETIT H, cuja missão é reaproveitar de forma criativa os materiais descartados em suas oficinas. Comandada por Pascale Mussard, tataraneta do fundador da empresa, tiras de couro e sobras de seda e tecidos se transformam em produtos. Tiras de couro viram molduras de espelho. Cavalinhos e bichos de pelúcia nasceram de sobras de tecido. Uma sineta de cristal era, antes, uma taça com defeito no cálice. Com isso, a marca francesa evita o descarte de material e ainda fatura. Uma carteira de crocodilo, pequena, sai por US$ 70. Uma pulseira de metal revestido de tecido, o mesmo dos lenços, custa aproximadamente US$ 300. Já entre os itens de decoração, um dos mais caros é um enorme urso panda, feito de sobras do couro de bolsas e roupas. Preço do mimo: US$ 100 mil. As peças rodam o mundo em mostras itinerantes nos desfiles da HERMÈS.


A chave do sucesso da grife francesa sempre foi à elegância e a sobriedade em suas coleções. HERMÈS não é uma marca que segue qualquer estilo. Na verdade, dita tendências, faz estilo. A união entre tradição e inovação, entre tecnologia e talento, é o segredo que confere tamanho frescor a uma marca nascida no século 18, que enlouquece as mulheres mais sofisticadas ao redor do planeta com suas famosas bolsas e echarpes. A demora em conseguir os itens mais celebrados da marca, como a Kelly, uma tradicional bolsa executiva, e a Birkin, feita especialmente para Jane Birkin (que é co-autora da bolsa), gerou uma das maiores lendas envolvendo a HERMÈS: a fila de espera.


A linha do tempo 
1923 
Lançamento da bolsa BOLDIE, primeiro modelo a ter zíper como fecho. 
1930 
Lançamento da bolsa PLUME, com seu retângulo clássico carregado por Catherine Deneuve. 
1951 
Lançamento do primeiro perfume da marca chamado EAU d’HERMÈS
1958 
Lançamento da bolsa TRIM, feita de lona com bordas de couro, uma das preferidas de Jack Kennedy. 
1961 
Lançamento do perfume CALÉCHE, um dos mais famosos da história, que possuía uma fragrância deliciosa, suave e refrescante, resultado de uma combinação de essências de néroli, bergamota, limão, lírio-do-vale, sândalo e vetiver. 
1969 
Lançamento da bolsa CONSTANCE, modelo a tiracolo com fecho de ferragem em forma de H. 
1972 
Lançamento da primeira coleção de sapatos femininos. 
1974 
Lançamento do perfume feminino AMAZONE
1976
Lançamento dos famosos braceletes esmaltados. 
1984 
Lançamento da bolsa BIRKIN. Este modelo de bolsa surgiu de uma situação inusitada: em um voo entre Paris e Londres a cantora e atriz Jane Birkin viajava ao lado de Jean-Louis Dumas, herdeiro e então presidente da HERMÈS. Durante a viagem ela reclamou que não existia no mercado uma bolsa grande e prática o suficiente para a vida de uma mulher moderna. E o presidente atendeu sua solicitação. Geralmente o preço desta bolsa, um dos maiores sucessos até os dias de hoje, começa em US$ 6.000 e pode alcançar facilmente cinco dígitos. A preciosidade pode ser encontrada em vários tamanhos: 25, 30, 35 e 40 cm de largura. A bolsa é a queridinha entre as celebridades, como a inglesa Victoria Beckham, que possui cerca de 100 unidades. A mais desejada dessas bolsas é feita de couro de crocodilo, criado em cativeiro, que chega a custar €35 mil. Mas também pode ser feita em couro de bezerro e avestruz. 
1995 
Lançamento do perfume feminino 24 FAUBOURG
1999 
Lançamento do perfume feminino HIRIS
2000 
As sofisticadas porcelanas da marca passam a serem vendidas em suas lojas. 
Lançamento do perfume feminino ROUGE HERMÈS
2005 
Lançamento do comércio online para a venda de seus produtos sofisticados. Os produtos somente são entregues na França, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. 
2007 
Foi responsável pela criação do helicóptero mais sofisticado do mercado. Tendo como base o elegante modelo EC135 da Eurocopter, o interior do veículo aéreo da grife francesa foi concebido pelo designer italiano Gabriele Pezzini, seguindo a tradição de luxo e sobriedade da marca até os últimos detalhes. Equipado com bancos forrados de pele, frigobar e oferecendo um grande conforto, o helicóptero se tornou o transporte ideal para viagens aéreas de pequena e média distância. Tendo a produção limitada a seis unidades anuais, o EC135 HERMÈS poderá ser personalizado pelo cliente, não só na cor exterior, como igualmente nos materiais utilizados na cabine. 
Lançamento da LINDY BAG, charmosa bolsa que possui várias facetas, é dobrável, tem dois compartimentos distintos e pode ser usada como bolsa de mão ou a tiracolo. 
2010 
Lançamento do perfume unissex VOYAGE D’HERMÈS, inspirado e idealizado pelo perfumista da marca Jean-Claude Ellena. O perfume tem um cheiro almiscarado, fresco e arborizado. Vem em um frasco especialmente concebido e inspirado em uma lupa e possui uma tampa de alumínio que gira revelando o spray. 
Lançamento de uma coleção exclusiva de joias criada por Pierre Hardy. A HERMÈS, que até então só vendia joias em prata, estreou no segmento da alta joalheria com 14 peças que remetem às raízes equestres da marca e levou dois anos para ser concluída. As joias são feitas sob medida ao gosto do cliente. 
Inauguração de sua primeira loja dedicada exclusivamente ao segmento masculino, localizada na Madison Avenue em Nova York. A enorme loja possui quatro andares. 
2011 
Lançamento do perfume UN JARDIN SUR LE TOIT
2014 
Lançamento da linha LE BAIN, composta por xampu revitalizante, gel tonificante, hidratante para o corpo, leite para o corpo, sabonete e espuma para banho. Todos os aromas foram desenvolvidos a partir dos clássicos perfumes clássicos da marca.


O símbolo 
Audrey Hepburn usou-os envoltos na cabeça. Grace Kelly fez deles uma tipoia. Madonna preferiu pendurar na alça da bolsa. O primeiro lenço de seda HERMÈS, conhecido em francês como “carré” (que significa “quadrado”) e inspirado nos modelos usados pelos cavaleiros, foi lançado em 1937 e rapidamente se tornou objeto de desejo de milhares de mulheres que o ostentavam como um sinal de classe e poder. O primeiro desses lenços era branco e estampado (um desenho de senhoras cercadas por várias carruagens públicas puxadas a cavalo). Para a promoção desta peça de 90 cm² e pintada à mão, muito contribuíram nomes famosos como a rainha Isabel II da Inglaterra, Grace Kelly, Audrey Hepburn, Catherine Deneuve, Jacqueline Bouvier Onassis e mais recentemente Sharon Stone, Sarah Jessica Parker, Hillary Clinton, Elle Macpherson e a cantora Madonna. Ao longo dos anos um dos principais ícones da grife francesa inovou: em 1980 o modelo original foi modificado e surgiu o modelo com efeito plissado; o “Gavroche”, de 45 cm², inspirado no lenço masculino; em 2001, Martin Margiela, na época diretor artístico da marca, concebeu uma versão mais alongada e outra batizada de “Losange”, na forma de um losango; e ainda surgiram os carrés “tecnológicos” como Eva e Flacons, o primeiro a prova d’água e o segundo perfumado.


Desenhados por artistas conhecidos, os lenços seguem um longo processo de criação e fabricação, que pode chegar a 30 messes, e necessitam em média de 24 cores diferentes, mas elas podem chegar a 42. São vários modelos, longos, triangulares e quadrados, e o mais famoso é o carré HERMÈS de 90×90 cm. Um luxo tipicamente francês. O sucesso destes lenços não se mede apenas por quem os usa, mas também pelo número de pessoas que os compram: a cada 25 segundos é vendido um novo exemplar em algum lugar no mundo, principalmente no período do final de ano. Por ano são lançadas duas coleções contendo 12 lenços que custam em média US$ 375 cada. Os tradicionais lenços de seda são feitos, até hoje, de forma artesanal em um ateliê na cidade de Lyon (região sudeste da França), que produz mais de 1 milhão de unidades por ano. Toda seda utilizada pela HERMÈS é oriunda a partir de criações de bichos-da-seda no interior de São Paulo e do Paraná. Para fabricar um carré de 90 cm², são necessários os fios de 300 casulos, totalizando 450 km. Cada um dos lenços tem um tema específico e também as iniciais do desenhista que criou a estampa, como se fosse uma gravura de 65 gramas. Calcula-se que já tenham sido fabricadas 2.500 estampas por diferentes designers e artistas plásticos.


Obras-primas olfativas 
A aventura olfativa da HERMÈS começou verdadeiramente em 1951 com o lançamento do Eau d’Hermès, uma fragrância criada por Edmond Roudnitska. O lançamento de Calèche, o primeiro perfume feminino da marca, confirmaria, dez anos mais tarde, o compromisso da marca francesa em criar verdadeiras obras olfativas embaladas em frascos icônicos. Por isso, os perfumes são pensados, elaborados e produzidos como verdadeiros poemas. Atualmente os perfumes são criados a partir da inspiração de Jean Claude Ellena e de seu talento para transformar, como ninguém, mensagens em aromas. Desde 2004 no cargo, o perfumista tem carta branca da empresa para ousar nas suas criações, além de um orçamento irrestrito e autorização permanente para viagens inspiradoras. Tanto investimento por parte de uma marca famosa por suas bolsas e acessórios em couro se justifica: a cada dois itens vendidos pela HERMÈS, um é perfume. Uma de suas últimas novidades no segmento, lançada em 2013, atende pelo nome de ÉPICE MARINE, cujo frasco de 100 ml custa chega a custar R$ 825. Ao longo de sua história a marca já lançou no mercado mais de 56 perfumes.


Um lugar mítico 
Assim pode ser descrito o número 24 da badalada rua Faubourg Saint-Honoré. Afinal é neste endereço da cidade de Paris que desde 1880 está instalada a principal loja da grife HERMÈS. O enorme e mítico prédio tem seis andares e mais três no subsolo. E é justamente em um ateliê especial, no sexto andar da loja, que a marca retorna as suas origens. Ali são produzidas à mão, mensalmente, aproximadamente 35 selas para cavalo. Cada uma custa, em média, €4.000. Se for um projeto especial, o preço dobra. As vitrines da loja são tão famosas quanto suas caras bolsas e lenços de seda, expostos dentro da enorme loja como se fossem objetos de arte. A tunisiana Leila Menchari é a responsável pelos verdadeiros cenários montados na vitrine há mais de trinta anos, que é renovada a cada três meses, uma por estação do ano. E cada uma delas conta uma história fantástica, atraindo turistas de todas as partes do mundo. Desde 1977 ela já criou mais de cem temas nas vitrines e cada uma é uma viagem deslumbrante. A mais famosa das tantas vitrines da loja é uma em forma de triângulo na esquina, que tem 12 m² e é sempre o apogeu de sua mente criativa e a que faz todo mundo parar e admirar.


No site da marca, uma ferramenta interativa permite conhecer o funcionamento de sua famosa sede em Paris. Através da página The Secrets of 24 Faubourg (acesse aqui), basta passar o mouse sobre os vários andares do prédio, incluindo os que ficam no subsolo, e clicar no departamento que deseja conhecer. Cada sala é então ampliada, e uma animação mostra as atividades executadas no local. Tudo é representado com desenhos e animações bem-humoradas, como por exemplo, os funcionários que sonham deitados sobre a mesa de desenho, ou os que aproveitam a massagem do cavalo, e o perfumista que tem um nariz ao invés da cabeça, que sobe até o jardim no sótão para sentir o aroma das flores e se inspirar.


A produção artesanal 
Cada produto HERMÈS é exclusivo. E caro. Modelos de bolsas feitos de pele de crocodilo podem chegar a R$ 180.000. Ainda hoje, mais de 175 anos depois de sua fundação, a empresa continua trabalhando com o mesmo padrão de qualidade e sempre primando pelo trabalho artesanal, pela exclusividade dos produtos e pelo valor agregado em cada peça. A HERMÈS se orgulha de ser uma empresa moderna, atual, mas que nunca deixou de perder sua identidade e preocupação em elaborar produtos que sejam fruto do talento humano, muito mais que da tecnologia. Todos os dias, cada um dos mais de 1.800 artesões que trabalham nas oficinas do grupo se dedica a produção de uma única peça, do começo ao fim do processo. O principal ateliê de artigos de couro, onde são produzidas as bolsas mais desejadas do mundo, está localizado em Pantin, uma cidadezinha na periferia da capital francesa, e onde trabalham aproximadamente 390 artesões. A empresa tem mais nove centros de produção espalhados pela França, onde dão expediente outros 1.430 especialistas em fabricar os produtos em couro.


A HERMÈS definitivamente não foi afetada pelas ideias do americano Henry Ford, que criou a linha de montagem. Tudo é fabricado sem pressa, no tempo exigido para garantir que cada detalhe receba a atenção necessária. Cada artefato que sai de seus ateliês é assinado pelo profissional que o fez, permitindo assim rastrear com precisão eventuais defeitos de cada peça. Uma bolsa HERMÈS que precise de conserto será reparada pelo mesmo artesão que a confeccionou. A produção escassa é o que garante a HERMÈS uma aura de exclusividade. E todas as peças são “Made in France”. Essa situação é mais evidente no segmento de bolsas, o produto de maior sucesso da marca. Para ter acesso a alguns dos modelos Birkin ou Kelly, os mais cobiçados do planeta, é preciso esperar dois anos e pagar aproximadamente R$ 25.000. Apesar de relativamente pequena, a HERMÈS tem conseguido se destacar em meio a um universo dominado por poderosos e gigantescos conglomerados de luxo. Para garantir este status a marca mantém uma intransigência quase visceral em relação aos padrões exigidos para as matérias-primas empregadas na confecção de seus artigos.


No início de 2007, os diretores da empresa dispensaram um lote inteiro de pele de crocodilo simplesmente porque a tonalidade apresentada pelo couro do animal, levemente amarelada, não condizia com a cor esperada pela marca. As clientes que estavam na fila à espera de uma bolsa feita com o material, uma das mais caras da grife francesa, estimada em R$ 80.000, tiveram que se conformar com um novo prazo de entrega, dois anos mais tarde. Apesar deste incidente, não houve desistência nos pedidos. Por isso, hoje em dia, existem filas de espera quilométricas para alguns desses produtos, com destaque para os acessórios de equitação e as bolsas Kelly e Birkin. Somente 4% do couro de cada fornecedor é aprovado pelo crivo dos funcionários, treinados para perceber o mais sutil dos defeitos — se um crocodilo foi mordido por outro, por exemplo, sua pele é recusada. Por isso, recentemente a HERMÈS investiu na criação própria de crocodilos para produção de couro e assim confeccionar boa parte de seus produtos. E, para garantir a integridade da pele do animal, mantém os bichos separados, para não brigarem. As bolsas também podem utilizar couro de avestruz da África do Sul e do lagarto da Ilha de Java.


Tamanho cuidado reflete no preço e na escassez da peça. Uma “Birkin Croco” é quase tão rara quanto uma joia de rubi. Para estipular o valor de cada modelo de bolsa são levados em consideração três fatores: o tamanho, a matéria-prima utilizada e o tempo para a confecção (um processo que dura de 24 a 48 horas) – isso sem adição de impostos de cada país. Por exemplo, uma bolsa Kelly de crocodilo tamanho 28 custa €14.900. E um terço disso se for de couro de bezerro Box. Se todas as variações de tamanho, cor, matéria-prima e detalhes oferecidos pela marca — só o modelo de bolsa Kelly pode vir em 200 combinações — não forem suficientes para satisfazer as clientes mais exigentes, a HERMÈS mantém ainda um ateliê de encomendas especiais para atender a qualquer capricho.


O logotipo 
Além da cor laranja, o logotipo da marca tem outra importante parte de identificação perante os consumidores. A imagem de uma carruagem e seu condutor, que remete diretamente ao passado histórico da empresa, se transformou em um verdadeiro símbolo da marca francesa. Esse símbolo foi desenvolvido a partir da obra de 1830, chamada “Le Duc Attelé”, de autoria do artista Alfred de Dreux. O desenho foi comprado por Emile Hermès, então no comando da tradicional empresa, e passou a fazer parte do logotipo da marca entre 1943 e 1944.


Os slogans 
The best gifts come inside the orange box! (2006) 
Mediterranean harvest. (2003) 
It’s all in the gesture. (2002) 
Encounters with the earth’s beauty. (2001)


Dados corporativos 
● Origem: França 
● Fundação: 1837 
● Fundador: Thierry Hermès 
● Sede mundial: Paris, França 
● Proprietário da marca: Hermès International S.A. 
● Capital aberto: Sim (1993) 
● Chairman: Henri-Louis Bauer 
● CEO: Axel Dumas 
● Diretor criativo: Christophe Lemaire 
● Faturamento: €3.75 bilhões (2013) 
● Lucro: €790.3 milhões (2013) 
● Valor de mercado: €27.3 bilhões (maio/2014) 
● Valor da marca: US$ 7.616 bilhões (2013) 
● Lojas: 323 
● Presença global: + 65 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 11.000 
● Segmento: Moda luxo 
● Principais produtos: Artigos em couro, roupas, acessórios, bolsas e perfumes 
● Concorrentes diretos: Bottega Veneta, Goyard, Louis Vuitton, Chanel, Burberry e Givenchy 
● Ícones: A cor laranja e os lenços de seda 
● Slogan: The best gifts come inside the orange box! 
● Website: www.hermes.com 

O valor 
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca HERMÈS está avaliada em US$ 7.616 bilhões, ocupando a posição de número 54 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. 

A marca no Brasil 
Somente no mês de setembro de 2009 a tradicional grife francesa desembarcou no país com a inauguração de uma luxuosa loja no sofisticado shopping Cidade Jardim em São Paulo. A decoração é impecável: o piso de mármore moleanos veio de Portugal; a mobília, de madeira cerejeira, da França, e as luminárias patenteadas, da Alemanha. Na quarta loja da América Latina são comercializados cinco mil itens das 17 linhas, todos bem organizados por temas e cores. Tem gravatas e os tradicionais lenços de seda, joias de prata e perfumes, enxoval de bebê, artigos de decoração, sapatos, roupas e até selas e estribos. E, é claro, as cobiçadas bolsas. Há 40 modelos diferentes disponíveis na loja, incluindo as famosas e desejadas Birkin e Kelly.


A marca no mundo 
A marca está presente em mais de 65 países com 323 lojas próprias (mais espaços dentro de sofisticadas lojas de departamento - chamadas Store In Store) que vendem artigos de couro, perfumes, bolsas, lenços, roupas, joias, relógios, gravatas, sapatos, entre outros produtos. O Japão representa o maior mercado para a marca que fatura €3.7 bilhões anualmente. Atualmente a marca possui 17 linhas de produtos, que incluem a moda feminina criada por Christophe Lemaire; a moda masculina criada por Véronique Nichanian; uma exclusiva linha de sapatos femininos e joias, ambas criadas por Pierre Hardy; e até produtos exclusivos sob encomenda, que podem variar de uma caixa para violão ao interior de um carro, helicóptero, iate e até mesmo apartamento. Gravatas (que custam no Brasil a partir de R$ 630) e os famosos lenços de seda (a partir de R$ 990), junto com perfumes vendidos em Duty Free em aeroportos do mundo todo e as bolsas, garantem a maior parte do faturamento da marca. 

Você sabia? 
Os produtos em couro representam 30% do faturamento da marca e as roupas 15%. 
Desde sua inauguração a grife francesa nunca fechou uma loja no mundo inteiro. 
A marca francesa é parceira do cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa em seus trajes de equitação. HERMÈS ainda é patrocinadora oficial de todo o material para a prática da equipe americana de hipismo. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Veja e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico e Folha de S.Paulo), sites de moda (Pure Trend), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 23/5/2014

2 comentários:

renata disse...

Olá, adorei seu blog... adorei as informações.. e gostaria tb de estar te passando o blog de um estilista o qual gosto bastante, a 50 anos no mercado gaúcho foi o primeiro brasileiro a estudar moda e paris. coferi pra vc ver
Abraços, Renata.
http://estilistaruispohr.blogspot.com

Paula Talmelli disse...

Olá, amei o seu blog. O conteúdo é maravilhoso.
Eu trabalho com marketing e estou me especializando em moda agora. Com certeza seu blog será uma fonte para minhas pesquisas.
Eu também tenho um blog, com dicas de moda, dentro do site da minha grife de acessórios.
Se vc quiser conhecer, acesse: www.paulatalmelli.com.br
E qualquer dica ou comentário sobre minha marca será muito bem vindo.
Parabéns!

Um abraço,
- Paula Talmelli