17.10.06

Baccarat

No famoso palácio francês de Versailles os imensos lustres de cristal são BACCARAT. As cadeiras de jantar dos czares Romanov, da Rússia, eram feitas de cristal BACCARAT. A marca francesa é uma unanimidade já referendada por monarcas, marajás, czares e, posteriormente por presidentes, chefes de Estado, artistas, renomadas grifes mundiais e consumidores exigentes de todos os continentes. São gerações e gerações de vidreiros, sopradores, cortadores, técnicos e engenheiros (hoje, 50% deles acionistas da empresa) que mantêm não só um apurado controle de qualidade, mas também profunda afetividade por sua “velha casa”.
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A história
A história da tradicional marca francesa teve início com a permissão dada pelo rei Luis XV ao bispo de Metz, monsenhor Louis De Montmorency-Laval, para fundar em 1764 a fábrica de vidros e cristais Saint-Anne na então vila de Baccarat, localizada na província de Lorraine, à leste da França. Estavam implantadas as raízes daquela que viria a ser uma das mais conceituadas cristalerias do mundo. Seu objetivo era criar uma “vidraria de arte” para concorrer com as da Bohemia, extremamente famosa na época. Inicialmente a nova empresa fabricava placas de vidro para janelas, espelhos, copos e taças. Após diversas invasões durante a Revolução Francesa e as guerras do império, a fábrica ressurgiu como uma cristaleria e já com o nome de BACCARAT graças ao industrial belga Gabriel Aimé d’Antiques. O primeiro cristal fabricado pela empresa data de 15 de novembro de 1816, quando o primeiro forno entrou em operação.
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Logo em seguida, em 1817, foi transformada em primeira cristaleira da França e ganhou notoriedade por seus candelabros, castiçais, lustres, opalinas, pesos de papel, objetos de adorno e os famosos acessórios para mesa, além de ter sido a primeira a fazer cristal colorido e luminárias em 1827. Desde então, a marca é sinônimo universal de lapidação precisa, manufatura delicada em objetos únicos e nas formas mais variadas. Seus produtos lapidados com esmero, logo ganharam ávidos consumidores entre os nobres e os mais abonados, o que contribuiu para criar a fama mundial da marca. De reis a plebeus abastados, BACCARAT se transformou em status e opulência, charme e sofisticação real. A fábrica sobreviveu às guerras e revoluções, sempre produzindo copos, garrafas, baldes (muitos encomendados com monogramas), seus tradicionais lustres em cascata, abajures, jóias, bijuterias, frascos de perfumes, vasos, candelabros, esculturas, maçanetas, entre outros.
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Em 1907 a BACCARAT iniciou a produção em larga escala de embalagens para perfumaria, começando com 4.000 unidades diárias. O frasco de cristal BACCARAT, dali em diante, passou a funcionar como aval de fragrância para poucos, recurso que nomes como Coty, Patou, Elizabeth Arden, Guerlain, Dior, Versace, Chanel e Lancôme, entre outros perfumistas, já exploraram. Apesar da empresa também produzir jóias, no princípio apenas para uma clientela restrita, muito especial e reservada, foi somente em 1931 que a BACCARAT lançou no mercado o primeiro anel de coleção. Na década de 40, em 1948, criou a subsidiária americana, inaugurando uma boutique na cidade de Nova York, ganhando força no enorme mercado consumidor dos Estados Unidos. Em 1984 a marca deu início a uma forte expansão na região asiática com a inauguração de uma boutique na cidade de Tóquio.
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Comprada em 1988 pela Sociedade do Louvre (Société du Louvre), corporação francesa controlada pelo grupo Taittinger, que atua nos segmentos de hotelaria, perfumaria e bebidas, proprietário das porcelanas Haviland, a BACCARAT se modernizou desenvolvendo novos setores, como em 1991 quando surgiram os clássicos brincos Creoles, que abriram as portas para a primeira coleção de jóias lançada em 1993, a relojoaria e a perfumaria (lançou seus primeiros perfumes em 1997), aumentando sua visibilidade e mudando de cara: a coleção de jóias, com peças pequenas e mais baratas, se tornou campeã de vendas. Nesta coleção, a marca formulou um refinamento e tonalidades que traziam pedras preciosas e semipreciosas como safira, rubi, turmalina, topázio e jade. Além daquelas taças de cristal transparente e finíssimo, trabalhado a mão com diamante, que chega a custar US$ 785 cada uma, a BACCARAT também passou a produzir taças coloridas, com aparência mais jovem, que custam aproximadamente US$ 80 cada uma.
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Até 1998, os brasileiros que quisessem ter um objeto de arte BACCARAT em casa teriam de comprá-lo em uma das luxuosas lojas da marca em Paris, Nova York, Tóquio ou Atenas. Ou ainda, precisariam garimpar pelas lojas de decoração do país, que às vezes têm peças para oferecer a seus clientes. Porém essa história mudou com a inauguração de uma butique da marca na Rua Oscar Freire, região dos Jardins em São Paulo. Na época era a única loja da marca francesa na América Latina. Além dos tradicionalíssimos lustres e taças (estas, o item mais vendido no país), as unidades brasileiras (hoje são três unidades) vendem jóias, relógios e até bolsas.
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Obras de arte
O cristal BACCARAT é fabricado a partir da junção de água, areia, potássio e chumbo (33%), misturados e aquecidos a mais de 1.200 graus, transformando-se numa massa uniforme e maleável que permite criar as mais variadas formas. A coloração é obtida com a adição de elementos como ouro, cromo e manganês. As peças são lapidadas à mão como pedras preciosas, em processo artesanal cheio de caprichos e requintes. O vidro ainda é soprado pelos operários (não por máquinas) e a decoração dos cristais é feita uma a uma, a mão. É uma espécie de fábrica de objetos de arte, mas suas peças, muito caras e de estilo antigo, andavam meio sem mercado. A perfeição do design e da manufatura trouxe à marca incontáveis prêmios em mais de dois séculos de existência. Mais que fama, a BACCARAT tem tradição: é a primeira cristaleria da França. Nenhum outro cristal é tão conhecido e distribuído em centenas de países no mundo.
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A loja conceito
Paris, conhecida como Cidade Luz, ganhou em 2003 mais uma jóia para sua coleção: a MAISON BACCARAT, obra da criatividade delirante do designer Philippe Starck, que recebeu carta branca para reinventar o conceito de loja. Como o prédio funciona também como museu (onde é possível admirar cerca de cinco mil objetos de cristal) e sede administrativa da mais ilustre marca francesa de cristais, não é de estranhar que visitantes deslumbrados se perguntem: será que isso é uma loja mesmo? É, sim, e, apesar do clima de sonho, serve a propósitos bem objetivos. A BACCARAT mudou de casa como parte da estratégia de reposicionamento da marca no mercado. A idéia era reforçar a imagem de glamour arrebatado, luxo assumido e uma tradição de mais de dois séculos – mas com fôlego suficiente para se modernizar e surpreender. “A essência de BACCARAT, para mim, é o mundo da ilusão através dos jogos ópticos do cristal lapidado. Imaginei, então, um palácio de cristal onde tudo seria possível”, diz Starck, provavelmente a maior estrela mundial do design. E assim foi feito.
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Entra-se nesse mundo da fantasia reluzente por um tapete vermelho que leva a um aquário no qual flutua um lustre aceso. Para contrabalançar a suntuosidade do prédio com 3.000 m2, antiga residência da condessa de Noailles, freqüentada pela elite intelectual e artística da primeira metade do século XX, ele colocou cimento bruto e deixou tijolos aparentes nas paredes. Tudo para que só os cristais brilhem. O tapete vermelho da entrada ganha pequenas luzes laterais que guiam o visitante por corredores e salões iluminados pelos famosos lustres BACCARAT. Na loja, vasos, copos, taças, castiçais e pratos das novas coleções estão dispostos em uma mesa de 13 metros, com pés de cristal e tampo de espelho cujo desenho em losangos se reflete no teto. As jóias – como um relógio de 10.900 euros e um colar de diamantes e pérolas do Taiti de 29.300 euros – são expostas em cubos de acrílico sobre pedestais em forma de corpo humano. A sala do museu, onde ficam peças simbólicas produzidas ao longo dos 240 anos da marca, é toda cinza com uma pedra de gelo pintada no teto. Luz somente sobre os objetos, todos excepcionais pela beleza e técnica. Assim, dois vasos feitos para o rei da Etiópia, obras-primas de 1909, confeccionados utilizando bronze, ouro e cristal, “conversam” com os visitantes logo no topo da primeira escadaria da loja: espécie de vídeo instalação, cada vaso tem incrustado um rosto feminino tridimensional – que fala. Uma poltrona de cristal de 2.5 metros de altura, “digna de Alice no País das Maravilhas” pela inversão das proporções, de acordo com Starck, e cadeiras que lembram a carruagem de Cinderela, completam o Palácio de Cristal versão pós-moderna.
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Lustres de cristal, peças do início do século 19, jóias e até um jogo de xadrez estão pelos quatro setores do museu. O primeiro, “Folie des Grandeurs” (mania de grandeza), apresenta peças monumentais, como as feitas sob encomenda para o czar Nicolau II, e os objetos fabricados para marajás, que foram transportados em elefantes. A etapa seguinte, intitulada “Alchemy”, fica em uma sala circular com pinturas de Gérard Garouste que representam água, terra, ar e fogo, elementos da fabricação de cristais. As vedetes são os vasos do escultor Simon, criados em 1867. O espaço “Transparence” mostra as várias facetas dos cristais, como o prato de Chanel e peças de famosos designers como Georges Chevalier, Ettore Sottsass, Van day Truex e Marcial Berro. Há ainda um restaurante, chamado “Cristal Room”, cujas reservas devem ser feitas até seis meses antes. Após a visita, uma taça de champanhe em cristal BACCARAT é oferecida em um salão particular.
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Em 2008 a empresa inaugurou sua segunda loja conceito na cidade de Moscou localizada em um prédio histórico (uma antiga farmácia fundada no século 18 por decreto do Czar Pedro) que possui restaurante, bar e uma loja projetada também por Philipe Stark. Além das maisons (lojas conceitos) a BACCARAT também possui dois hotéis resorts em Anguilla e Wailea, dois restaurantes (Cristal Room) e três sofisticados bares (B Bars) no Japão.
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Dados corporativos
● Origem:
França
● Fundação:
1764
● Fundador: Monsenhor Louis De Montmorency-Laval
● Sede mundial:
Baccarat, França
● Proprietário da marca:
Société du Louvre
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Chairman:
Barry Sternlicht
● CEO & Presidente: Herve Martin
● Faturamento: US$ 180 milhões (estimado)
● Lucro:
Não divulgado
● Lojas:
65
● Presença global:
100 países
● Presença no Brasil: Sim (3 lojas)
● Funcionários:
1.150
● Segmento:
Cristaleria
● Principais produtos: Copos, vasos, candelabros, lustres, garrafas
● Ícones: Os lustres de cristais
● Slogan: La beauté n’est pas raisonable. (Beauty is not reasonable)
● Website:
www.baccarat.com
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A marca no mundo
Anualmente, a BACCARAT desenvolve duas coleções e 400 lançamentos de catálogo, que são distribuídos para 100 países onde a marca está presente, com 65 butiques próprias (inclusive três no Brasil) e 1.500 sofisticados pontos de vendas autorizados, como Le Bon Marché, Printemps e Galeries Lafayette em Paris, Harrod’s em Londres, El Corte Inglés em Madrid, Neiman Marcus, Bloomingdale’s, Saks, Barneys e Bergdorf Goodman em Nova Iorque, Isetan e Takashimaya em Tóquio, entre outros.
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Você sabia?
O Brasil possui o terceiro maior acervo de cristais BACCARAT do mundo, só perdendo para a França e para a Alemanha.
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As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
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Última atualização em 21/12/2010

2 comentários:

Emanuel disse...

Olá, gostaria que entrasse em contato comigo: emanuel.spyer@i3estrategia.com.br

obrigado

Paralaxe disse...

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