26.9.06

VOGUE


É provavelmente a revista mais famosa do mundo, a mais vendida, a mais influente e também a mais criticada. Ela é conhecida como a bíblia da moda. Deliberadamente elitista, a revista VOGUE, cujo nome, em francês, deriva do adjetivo “en vogue”, ou seja, “popular”, representa os ideais do luxo, sendo a referência e o espelho do mundo da moda. Suas capas são disputadas por modelos como se fosse o maior contrato de suas vidas. Estilistas se preocupam com suas críticas, e sabem, que de uma maneira ou de outra, o sucesso de uma coleção passa pelas páginas da aclamada revista. 

A história 
A mais aclamada revista de moda da história, a VOGUE, foi lançada oficialmente no dia 17 de dezembro de 1892 na cidade de Nova York, idealizada por Arthur Baldwin Turnure, um editor aristocrata e amigo das famílias mais distintas e privilegiadas da cidade, e Harry McVickar, como um pequeno folhetim de moda, com aproximadamente 30 páginas, destinado a alta sociedade nova-iorquina no final do século 19, cujo objetivo era representar os interesses e o estilo de vida desta classe. O preço de capa era de 10 centavos de dólar (equivalente a US$ 2.63 em 2015). A primeira edição trazia artigos de moda para homens e mulheres, críticas dos livros recentemente mais publicados, música, arte e um grande número de artigos de etiqueta e sobre como se comportar em reuniões sociais. Nesta época poucos vaticinariam tão grande sucesso e uma vida tão longa a uma publicação semanal que abordava temas fúteis para a época, como a moda, a vida mundana, artes e o design. A popularização da moda aconteceu com o seu lançamento, tendo em seus primeiros números personalidades como Gertrude Vanderbilt Whitney vestindo suas próprias roupas. O primeiro editor-chefe da revista foi Josephine Redding, que ficou no cargo até 1901. Devido ao aumento do conteúdo a revista se tornou uma publicação quinzenal em 1902.


A história da VOGUE começou a tomar novos rumos em 1909 quando foi adquirida pelo jovem advogado e editor Condé Montrose Nast, que de um modo visionário, tornou a revista o ponto de partida de um império editorial internacional. A primeira edição sob o comando do novo proprietário foi lançada no dia 24 de junho, e mostrava, entre outras coisas, os vestidos usados pelas mulheres mais ricas dos Estados Unidos. A publicação teve seu conteúdo reformulado para torná-la mais atraente e transformou a moda em “objeto de desejo” e “sonho de consumo” para as mulheres. Condé Nast transformou a VOGUE, até então uma pequena publicação quinzenal, em uma das revistas de moda mais influentes do século 20. A edição britânica da VOGUE foi lançada em 15 de setembro de 1916, sendo a primeira fora dos Estados Unidos. Pouco depois, foram lançadas as edições francesa (exatamente no dia 15 de junho de 1920), uma das mais importantes pelo sucesso internacional da revista; espanhola (1921), italiana (1922) e alemã (1924).


Até a década de 1930, as capas da revista eram 100% ilustradas e, apesar de seguirem uma estética art déco, mudavam bastante a cada edição. Durante este período, especialistas em ilustração como Georges Lepape, Eduardo Benito e Carl Erickson ou artistas como Christian Bérard e Salvador Dalí, usaram a capa da VOGUE como se fosse uma galeria em circulação, criando um potente mix de moda, beleza feminina, arte, estilo, glamour e jornalismo. Foi somente a partir dos anos de 1940 que as fotografias passaram a predominar as capas da revista VOGUE. A edição australiana, uma das mais importantes, foi lançada em 1959.


Na década de 1960, já sob o comando da editora-chefe Diana Vreeland, a revista começou a ter um apelo mais jovem, focada na revolução sexual da época, abordando mais moda contemporânea, além de editoriais que discutiam a sexualidade. Em 1966, Donyale Luna tornou-se a primeira negra a aparecer na capa da VOGUE, pela edição inglesa. Na década seguinte, ao comando de Grace Mirabella, que assumiu o cargo de editora-chefe em 1971, a revista passou a apostar em editoriais mais extensos e elaborados, adotando um estilo diferente para atender as mudanças de seu público alvo. Além disso, em 1973, a revista VOGUE passou a ter circulação mensal. Foi nesta década, no mês de maio de 1975, que a VOGUE lançou sua edição brasileira, sendo a primeira na América Latina.


A revista VOGUE começaria a ganhar status de “Bíblia da Moda”, a partir de 1988, quando Anna Wintour assumiu o cargo de editora-chefe, e transformou radicalmente a revista. Sob seu comando, vários estilistas, até então desconhecidos, e modelos novatas, viraram celebridades quase que do dia para noite. Ela também foi responsável pelo lançamento de vários novos produtos segmentados, como a versão online, que foi ao ar pela primeira vez em 1996; a inovadora TEEN VOGUE, uma revista voltada para jovens, que tinha como foco a moda e celebridades, mas também oferecia informação sobre diversão e atualidades, em fevereiro de 2003; a MEN’S VOGUE nos Estados Unidos, voltada para o público masculino, introduzida em 2005, mas cuja circulação independente foi cancelada poucos anos depois; e diversas outras revistas como a VOGUE LIVING (lançada em 2006 e conhecida no Brasil como VOGUE CASA). No Brasil a revista também se segmentou com o lançamento da VOGUE RG (destinada à alta sociedade e estilo de vida sofisticado, extinta em 2014), além dos suplementos especiais como VOGUE PASSARELAS, VOGUE NOIVA e VOGUE JÓIAS. Em 2011 a revista lançou o site Voguepedia, uma espécie de enciclopédia fashion online que disponibiliza todas as informações coletadas e divulgadas durante os mais de 120 anos da revista.


Além de tudo isso, a revista se transformou em referência para fotógrafos, modelos, produtores de moda, estilistas e muitas outras publicações do segmento. E todo esse poder pode ser comprovado em setembro de 2007, quando a edição circulou com 824 páginas, três quartos delas de publicidade, tornando-se a revista mensal com o maior volume de páginas e anúncios da história editorial americana. Hoje em dia aparecer na VOGUE é estar na moda. A moda não gira apenas em torno do vestuário, é um estilo de vida: como vivemos, viajamos, comemos e decoramos nossas casas. E por todos estes motivos a VOGUE é uma referência mundial: é visionária, inspiradora e cosmopolita. Um grupo seleto que é sinônimo de elegância e sofisticação. Por tudo isso, suas capas são disputadas por super modelos, e os estilistas sabem que o sucesso de uma coleção passa pelas páginas da aclamada revista.


A “papisa” da moda 
Com cabelos curtos, óculos escuros e expressão austera, Anna Wintour é há anos presença constante nas primeiras fileiras dos principais desfiles de moda de Nova York a Paris. Ela, que nasceu em Londres, filha de pai britânico e mãe americana, é editora-chefe da edição americana da VOGUE, descrita por muitos como a revista de moda mais influente do mundo. Seus colegas da revista a descrevem como a “papisa da moda” e dizem que ela “não é calorosa ou amigável”. A própria Anna Wintour diz que acha que seus colegas consideram seu trabalho divertido e que as pessoas que ironizam a moda o fazem por ter medo da própria moda. Seu domínio implacável sobre a indústria da moda durante os anos em que vem dirigindo a revista lhe valeu uma reputação de pessoa gelada. Essa fama teria inspirado a personagem de Meryl Streep no filme “O Diabo Veste Prada”, de 2006. Sua história com a VOGUE começou, após ingressar para a revista em 1983, no cargo até então inexistente de editora criativa, forjado especialmente para ela pelos diretores da Condé Nast, entusiasmados com seu trabalho na badalada revista New York. Anna passou mais de dois anos trabalhando a seu próprio modo na VOGUE, sem dar satisfações a Mirabella, até ser transferida para o cargo de editora da VOGUE britânica, em Londres. Ela mudou radicalmente a edição inglesa da revista, demitindo a maioria dos profissionais que lá trabalhavam, contratando novas estrelas do jornalismo fashion, mudando o enfoque editorial para uma maior praticidade, assumindo um controle total da revista com seu estilo gélido e autoritário e recebendo o apelido, que a perseguiria por anos, de “Nuclear Wintour”, uma brincadeira com a expressão “Nuclear Winter” (Inverno Nuclear) então em voga nos tempos de Guerra Fria, sobre um possível futuro do planeta após um holocausto atômico.


Em novembro de 1988, conseguiu então o cargo que perseguia desde criança: ser a editora-chefe da maior revista de moda do mundo, a VOGUE americana, com a saída de seu maior “desafeto”, Grace Mirabella. E chegou revolucionando, pois foi a primeira vez que uma calça jeans aparecia na capa de uma publicação. Preocupados com a ascensão da concorrente francesa Elle, lançada em 1985 em edição norte-americana, os diretores da Condé Nast depositaram suas esperanças em Wintour para colocar a revista novamente no topo, longe da concorrência. Ela apertou o foco da revista, sofisticando ainda mais o material editorial; rejuvenesceu as capas, trocando as fotos em close de estúdio utilizadas por Mirabella por fotos em plano americano ou corpo inteiro em luz natural – atualizando o estilo começado por uma de suas antecessoras dos primórdios da revista e um dos maiores ícones do mundo da moda, Diana Vreeland; lançando modelos adolescentes quase desconhecidas (entre elas, nos anos de 1990, a brasileira Gisele Bündchen, uma de suas favoritas, que já apareceu na capa da revista americana mais de 10 vezes); mostrando modelos de corpo e cabelos molhados na capa à luz do sol, até sem maquiagem; investindo na geração saúde da época; valorizando o trabalho de maquiadores, cabeleireiros, produtores e fotógrafos, ao mesmo tempo em que colocava em suas capas personalidades como estrelas de cinema e socialites americanas e europeias e até uma primeira-dama. Seu conhecido método de controle total foi implantado em tudo, texto e fotografia, que passaram a ter sua aprovação pessoal com mão de ferro. Além disso, descobriu, divulgou e ajudou a tornaram-se consagrados novos estilistas então desconhecidos como Marc Jacobs, Tom Ford e John Galliano, passando a determinar o parâmetro “fashion” mundial até para as revistas concorrentes. Não é a toa que hoje em dia vários desfiles de moda não começam enquanto Anna não chega.


Em pouco tempo sob seu comando, a revista VOGUE recuperou-se da influência de suas concorrentes diretas Elle, Harper’s Bazaar e Women’s Wear Daily, aumentando seu faturamento e tiragem. Sua obsessão por peles como adereços necessários ao luxo da moda e sua recusa em aceitar na revista anúncios pagos de associações de defesa dos animais, a colocou como alvo principal de entidades como a PETA, que em um desfile da Victoria’s Secret em 2002 invadiu a passarela para protestar com cartazes contra o desfile de Gisele Bündchen, uma de suas protegidas, coberta de peles, na presença de Wintour na primeira fila da audiência. Anna Wintour recebe mais de US$ 2 milhões de dólares anuais, além de todas as mordomias inerentes ao cargo, como US$ 50.000 para roupas que ela quase nunca compra, pois os estilistas mais famosos do mundo brigam para lhe vestir gratuitamente.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: 17 de dezembro de 1892 
● Criador: Arthur Turnure e Harry McVickar 
● Sede mundial: New York City, New York, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Condé Nast Publications, Inc. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Robert Sauerberg Jr. 
● Editor-chefe: Anna Wintour (Estados Unidos) 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Edições internacionais: 23 
● Presença global: 90 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 900 
● Segmento: Comunicação 
● Principais produtos: Revistas de moda e estilo de vida 
● Concorrentes diretos: W, Harper’s Bazaar, Elle, Cosmopolitan, Marie Claire, Vanity Fair e InStyle 
● Ícones: A disputada capa da revista 
● Slogan: If it wasn’t in VOGUE, it wasn’t in vogue. 
● Website: www.vogue.com.br 

A marca no mundo 
Atualmente, a revista VOGUE é publicada nos Estados Unidos (tiragem de 1.25 milhões de exemplares por mês), e possui 22 edições internacionais em países como Alemanha, Austrália, China, Japão, Coréia do Sul, Índia, Espanha, França, Itália, México, Reino Unido, Taiwan, Portugal e Brasil, onde a Edições Globo Condé Nast é a responsável por sua publicação, cuja tiragem é de aproximadamente 80 mil exemplares. Se somadas as vendas de suas edições internacionais a publicação tem uma circulação mensal mundial estimada em 2 milhões de exemplares. Todos os meses a revista VOGUE é lida por mais de 22 milhões de pessoas em 90 países no mundo, sendo 87.7% delas mulheres. O conteúdo das revistas com o título VOGUE podem ser acessados em múltiplas plataformas. 

Você sabia? 
Desde seu lançamento pouquíssimas celebridades femininas negras já posaram para a capa da revista, entre as privilegiadas estão, Donyale Luna (a primeira a aparecer na capa da VOGUE, na edição inglesa), a modelo Beverly Johnson (a primeira a ser fotografada em 1974, na edição americana), Halle Berry (atriz de “A Última Ceia”), a cantora Jennifer Hudson e a apresentadora Oprah Winfrey. 
Em todos esses anos apenas cinco homens apareceram na capa da VOGUE na edição americana: Richard Gere com Cindy Crawford (em novembro de 1992), George Clooney com Gisele Bündchen (junho de 1992), LeBron James com Gisele Bündchen (abril de 2008), Ryan Lochte com Hope Solo e Serena Williams (junho de 2012) e Kanye West com Kim Kardashian (março de 2014). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Exame), jornais (Meio Mensagem e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 8/12/2015

6 comentários:

Diego Marcell² disse...

Pow só isso sobre a Vogue ?

Anônimo disse...

Muito boa a pesquisa, muito completa. Apenas uma correção, onde diz: "onde a editora Carta Capital é a responsável por sua publicação." O correto seria: Carta Editorial.

lidaiane disse...

amo a vogue, e anna wintour e maravilhosa a vogue nunca seria a vogue sem ela a poderosa

lidaiane disse...

adorei a pesquisa muito criativa

rebeca disse...

Gostaria de parabenizar a pesquisa e pedir qual foi a fonte de pesquisa, pois estou fazendo monografia e preciso ter embasamento teorico sobre este assunto! Fiacaria muito grata se pudesse passar as informações, pois faço um pequeno estudo que envolve a Revista Vogue!
Obriagada pela atenção

Rebeca Pimentel Nogueira
rebeca_845@hotmail.com

elizabete disse...

Ola gostei muito da pesquisa, gostaria de saber o autor da publicação para que referencie no meu trabalho, obrigado desde já. Email elizabete_floriani@hotmail.com