24.8.06

MGM

O MGM é considerado um ícone clássico do cinema americano e mundial. Afinal, quem é que não conhece o famoso leão que ruge na abertura de seus filmes? E quando isso acontece é prenúncio de um bom filme, impecavelmente produzido e com elenco repleto de estrelas. Exemplos não faltam: a série 007, a saga do lutador Rocky Balboa, a Pantera Cor-de-Rosa, Ben-Hur, E o Vento Levou, são apenas alguns exemplos de sucesso de bilheteria do tradicional estúdio.

A história
A origem do mais famoso estúdio cinematográfico americano começou quando a rede de cinema Loew’s, de propriedade do magnata dos cinemas Marcus Loew, adquiriu a rival Metro Picture Corporation (fundada em 1915), e mais tarde as produtoras Goldwyn Picture Corporation (fundada em 1917 por Samuel Goldwyn) e Louis B. Mayer Pictures Corporation (fundada em 1918 por Louis B. Mayer). Desta fusão nasceu no dia 16 de abril de 1924 a Metro-Goldwyn-Mayer (mais conhecida pela abreviação MGM), que controlava todos os aspectos do negócio cinematográfico: produção, distribuição e exibição, e que, sob a direção de Louis B. Mayer e Irving Thalberg, diretor de produção conhecido como “O Menino Maravilha”, se tornaria o maior estúdio de Hollywood durante os anos 30 e 40. O primeiro longa-metragem produzido pelo estúdio foi Greed (Ouro e Maldição) obra-prima de Stroheim. O sucesso do MGM, cuja organização se assemelhava a uma fábrica, era baseado em produções de grande orçamento, cheias de glamour e de uma qualidade técnica que nenhum outro estúdio conseguia igualar. Nesta época o estúdio acolheu um vasto leque de técnicos e criativos, cujos trabalhos eram a marca registrada do MGM: do diretor de arte Cedric Gibbons até o engenheiro de som Douglas Shearer, passando pelos realizadores George Cukor, King Vidor, Fritz Lang, Victor Fleming, entre muitos outros.


No entanto, a grande força do estúdio MGM residia na sua constelação de estrelas que incluía nomes como Clark Gable, Greta Garbo, Spencer Tracy, Joan Crawford, Judy Garland, Elizabeth Taylor, Jean Harlow, entre muitos outros, que além das instalações mais luxuosas, fazia os filmes de maior prestígio da época. O sucesso do estúdio neste período inicial se deveu muito a Thalberg, cuja aposta em produções de grande qualidade permitiu a realização de filmes como Ben-Hur (1925), The Big Parade (1925), Grand Hotel (1932), Mutiny on the Bounty (1935), entre outros. Após a sua morte, o estúdio continuou a produção de filmes de qualidade, mas a aposta centrou-se mais em filmes de entretenimento do que em adaptações literárias. São deste período filmes clássicos, como por exemplo, Mágico de Oz, E o Vento Levou e Casamento Escandaloso. Mas do estúdio também saíam filmes de menor orçamento, porém de grande sucesso junto ao público como as séries Andy Hardy, Dr. Kildare e Tarzan. Com esta estratégia e sempre sob o comando de Louis B. Mayer, a MGM conseguiu dominar a indústria cinematográfica até o final da Segunda Guerra Mundial, produzindo entre 40 e 50 filmes por ano, em sua grande maioria verdadeiros sucessos de bilheteira.


O período do pós-guerra marcou uma reviravolta no gosto do público: a televisão começava a inundar os lares americanos e assistiu-se ao envelhecimento das estrelas do MGM. Além disso, o estúdio já sem a direção de Louis B. Mayer foi assolado por graves problemas internos, resultantes da decisão do governo americano em acabar com a concentração no segmento cinematográfico. Como resultado, a Loew’s se viu obrigada a desfazer-se do MGM, que ficou sem acesso exclusivo à rede de salas de cinema e à sua principal fonte de financiamento. Já sob o comando de Dore Schary, chefe de produção da Mayer, o estúdio produziu uma série de filmes de baixo orçamento como The Asphalt Jungle, produções suntuosas como Quo Vadis e algumas comédias de grande qualidade e dramas como Julius Caesar. Mas o gênero que permitiu ao estúdio manter a sua predominância durante as décadas de 40 e 50, foi o musical. Com talentos como os realizadores Vincente Minnelli e Stanley Donen e os atores Fred Astaire, Gene Kelly, Judy Garland, Frank Sinatra, entre outros, o estúdio produziu filmes memoráveis como Um Americano em Paris, Cantando na Chuva e Sete Noivas Para Sete Irmãos. A década de 60 trouxe consigo um decréscimo de público e um aumento dos custos de produção que atingiu toda a indústria cinematográfica, incluindo o MGM.


Em 1970, o estúdio foi adquirido por Kirk Kerkorian, um milionário ligado aos cassinos de Las Vegas, que designou um antigo produtor de televisão como presidente do estúdio. A nova direção do MGM iniciou então um conjunto de medidas de contenção de despesas, que passavam pela redução de pessoal e de custos de produção, assim como pela lendária venda de milhares de adereços e guarda-roupa que constituíam a memória do estúdio, entre as quais os sapatos usados por Dorothy no filme O Mágico de Oz. O conteúdo do leilão foi adquirido por US$ 1.5 milhões, sendo posteriormente vendido por US$ 12 milhões. Três anos depois, o MGM deixou de distribuir seus próprios filmes, licenciando-os à United Artists no mercado americano e a CIC no resto do mundo. No final desta década, o estúdio continuava a prosperar graças a investimentos diversificados em hotéis e cassinos nas cidades de Las Vegas e Reno. Em 1981, a empresa adquiriu a United Artists e passou a designar-se, dois anos mais tarde, MGM/UA ENTERTAINMENT. Os estúdios da MGM foram vendidos à Lorimar-Telepictures, levando ao encerramento em 1989 dos famosos laboratórios Metrocolor, após mais de 50 anos de funcionamento. Neste negócio, os filmes da Metro foram vendidos para Ted Turner que os relançou em vídeo e em seus canais a cabo (nos anos 90 eles passaram para a Warner como parte da fusão da Turner com a Warner). A marca MGM era tão forte, ao ponto da Disney tê-la licenciado como franquia em 1989, quando abriram um estúdio temático em Orlando na Flórida (esta parceria entre a Disney e o MGM foi desfeita em 2007).


O MGM foi comprado em 2004 por um consórcio de empresas, formado pelo grupo americano Comcast Corporation e pelo japonês Sony Pictures Entertainment, proprietário do estúdio Columbia Pictures. Com esta aquisição, o MGM deixou de ser uma empresa cinematográfica que produzia e distribuía filmes e passou a ser apenas uma marca no universo da Sony. Terminam, assim, mais de 80 anos de vida independente do mais emblemático estúdio de Hollywood e cuja existência se confunde com a própria história do cinema. No final de 2010, após o experiente executivo Harry E. Sloan tentar resgatar a força do MGM em relação à produção e distribuição cinematográfica, o tradicional estúdio pediu concordata devido as enormes dívidas. Depois de passar por uma enorme reestruturação o MGM firmou acordo com a produtora Spyglass Entertainment, cujos executivos passaram a dirigir o estúdio e tentarão nos anos seguintes reconduzi-lo aos anos de glória.


A linha do tempo
1937
Criação do Metro-Goldwyn-Mayer Cartoon Studio, divisão responsável por produzir desenhos e curtas metragens animados. A divisão funcionou até 1957, produzindo clássicos de sucesso, como por exemplo, Tom & Jerry. Nesta época, William Hanna e Joseph Barbera, chefes do estúdio de animação da MGM, pegaram o que tinham direito e fundaram sua própria companhia, Hanna-Barbera Productions, uma bem sucedida produtora de animação.
1955
Lançamento da divisão de televisão Metro-Goldwyn-Mayer.
1993
Criação do MGM ANIMATION, divisão responsável exclusivamente pela criação de curtas metragens animados para cinema e televisão.
1997
Lançamento do canal de televisão MGM TELEVISION ENTERTAINMENT.
2007
Lançamento do MGM HD, canal de televisão com filmes e programação em alta definição.
Em abril anunciou uma parceria com o iTunes para disponibilizar, inicialmente, 100 filmes de seu vasto acervo através da Internet por meio de downloads.


O sucesso
O estúdio MGM já conquistou mais de 200 estatuetas do Oscar e possui um acervo com mais de 4.100 filmes, além de 10.500 programas e episódios de séries televisivas. Alguns personagens marcantes nasceram no MGM, como por exemplo, O Gordo e o Magro (Stan Laurel e Oliver Hardy), a cachorra Lassie, James Bond, Rocky Balboa e a Pantera Cor de Rosa. Ao longo de sua história, o MGM produziu filmes inesquecíveis que se tornaram grandes sucessos de bilheterias, entre os quais:
● Tarzan, O Homem Macaco (Tarzan, The Ape Man), 1932
● Romeu & Julieta (Romeo & Juliet), 1936
● E o Vento Levou (Gone With The Wind), 1939
● O Mágico de Oz (The Wizard of Oz), 1939
● O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde), 1941
● Um Americano em Paris (An American in Paris), 1951
● Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain), 1952
● Sete Noivas para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers), 1954
● GIGI, 1958
● Crepúsculo Vermelho (The Journey), 1959
● Viva Las Vegas, 1964
● Dr. Jivago (Doctor Zhivago), 1965
● 2001, Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey), 1968
● Perdidos na Noite (Midnight Cowboy), 1969
● Poltergeist, O Fenômeno (Poltergeist), 1982
● Rocky III, O Desafio Supremo (Rocky III), 1982
● 007 contra Octopussy (Octopussy), 1983
● Rocky IV, 1985
● 9½ Semanas de Amor (9½ Weeks), 1986
● Platoon, 1986
● Poltergeist II: O Outro Lado (Poltergeist II: The Other Side), 1986
● Feitiço da Lua (Moonstruck), 1987
● Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda), 1988
● Rain Man, 1988
● Poltergeist III: O Capítulo Final (Poltergeist III), 1988
● 007 Permissão para Matar (Licence to Kill), 1989
● Dança com Lobos (Dance with Wolves), 1990
● Thelma & Louise, 1991
● O silêncio dos Inocentes (The Silence of the lambs), 1991
● Contagem Regressiva (Blown Away), 1994
● 007 Contra GoldenEye (GoldenEye), 1995
● A Gaiola das loucas (The Birdcage), 1996
● 007 O Amanhã nunca morre (Tomorrow Never Dies), 1997
● Ronin, 1998
● 007 O Mundo Não é o Bastante (The World Is Not Enough), 1999
● Hannibal, lançado em 2001
● Legalmente Loira (Legally Blonde), 2001
● 007 Um Novo Dia para Morrer (Die Another Day), 2002
● Os seus, Os Meus e Os Nossos (Yours, Mine and Ours), 2005
● 007 Casino Royale, 2006
● A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther), 2006
● Rocky Balboa, 2006
● Intinto Selvagem 2 (Basic Instinct 2), 2006
● Morte no Funeral (Death at a Funeral), 2007
● Premonições (Premonition), 2007
● 007 Quantum of Solace, 2008
● A Pantera Cor-de-Rosa 2 (The Pink Panther 2), 2009
● A Ressaca (Hot Tube Time Machine), 2010
● O Zelador Animal (Zookeeper), 2011
● The Girl with the Dragon Tattoo, 2011


A relação com o Oscar
Os estúdios MGM têm uma relação estreita e colaborativa com o maior e mais importante prêmio do cinema mundial. O Prêmio da Academia foi criado no dia 11 de maio de 1927, durante um banquete da recém-criada Academy of Motion Pictures Arts and Sciences. A idéia de agraciar os destaques do cinema com um prêmio foi de Louis Mayer, então presidente dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). A estatueta, mais tarde batizada de “Oscar”, foi criada por Cedric Gibbons, diretor de arte do MGM. Ela representa um cavaleiro com uma espada, de pé sobre um rolo de filme. As cinco divisões do rolo simbolizavam as cinco categorias em que o prêmio era distribuído: atores, diretores, produtores, técnicos e roteiristas. A primeira cerimônia de entrega do prêmio aconteceu durante um banquete no Roosevelt Hotel, dia 16 de maio de 1929, quando o filme sonoro ainda engatinhava. 250 membros da academia pagaram US$ 10 para participar da festa. O júri de cinco pessoas decidiu sobre a entrega de 15 Oscar: o melhor ator foi o alemão Emil Jannings, pela sua participação em The Way of All Flesh. O MGM conquistou seu primeiro Oscar com o musical A Melodia na Broadway (The Broadway Melody), premiado como melhor filme em 1930. Uma história interessante do MGM em relação ao Oscar ocorreu em 1958 quando o musical romântico GIGI, dirigido por Vincente Minnelli, com roteiro baseado em romance de Colette e estrelado por estrelando Leslie Caron, Maurice Chevalier e Louis Jourdan, venceu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia - Colorida, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Canção Original (Gigi), Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Adaptado. No dia seguinte à conquista das 9 estatuetas douradas pelo filme os funcionários da MGM foram orientados a atender os telefonemas com a frase “Hello, M-Gigi-M”. Até hoje, o MGM já conquistou 205 estatuetas e se tornou um dos estúdios mais premiados do mundo.


O ícone
Na verdade o leão que virou símbolo do estúdio apareceu antes mesmo da fundação da Metro-Goldwyn-Mayer. O logotipo onde o leão aparecia foi criado em 1916 por Howard Dietz, executivo de propaganda da Goldwyn Pictures Corporation, e foi inspirado no grito de guerra da equipe atlética da Universidade de Columbia, intitulado “Roar, Lion, Roar” (“Ruja, Leão, Ruja”). Ele foi utilizado pela primeira vez no filme Polly of the Circus (1917). Em 1924, a Goldwyn se juntou à Metro e à Louis B. Mayer e o leão rapidamente se tornou o símbolo do novo estúdio. No entanto, o público dos cinemas só pôde ouvi-lo rugir pela primeira vez no dia 31 de julho de 1928 no filme “White Shadows of the South Seas”, quando o som passou a ser reproduzido por um fonógrafo. O primeiro leão foi SLATS (nascido no dia 20 de março de 1919 em cativeiro no zoológico de Dublin na Irlanda) e ele aprendeu a girar a cabeça e rugir na hora certa com Volney Phifer, um famoso treinador de animais de Hollywood. Na época, o leão excursionava pelos Estados Unidos para promover o estúdio e, como um bom felino, sobreviveu a dois acidentes de trem, uma enchente no rio Mississippi, um terremoto na Califórnia, um incêndio e um acidente de avião. SLATS morreu em 1936 quando já estava aposentado e sua pele está exposta atualmente no Museu McPherson, localizado no estado do Kansas. Seus sucessores foram JACKIE (primeiro leão a aparecer em Technicolor, em 1932), TANNER (provavelmente mais famoso), GEORGE (cujo nome não é confirmado pelo estúdio) e LEO (que virou marca registrada para o nome do leão do MGM, sendo utilizado até os dias de hoje).



Dados corporativos
● Origem:
Estados Unidos
● Fundação:
16 de abril de 1924
● Fundador:
Louis B. Mayer, Marcus Lowe e Samuel Goldwyn
● Sede mundial:
Los Angeles, Califórnia
● Proprietário da marca:
Metro-Goldwyn-Mayer Inc.
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Chairman & CEO:
Gary Barber e Roger Birnbaum
● Presidente:
Jonathan Glickman
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Acervo de filmes:
4.100
● Presença global:
130 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 1.400
● Segmento:
Cinematográfico
● Principais produtos:
Filmes, programas de televisão, musicais e canal de TV
● Principais concorrentes:
Paramount, 20th Century Fox e Warner Bros.
● Ícones:
O leão de seu logotipo
● Slogan: MGM means great movies.
● Website: www.mgm.com

A marca no mundo
Atualmente o estúdio MGM funciona como uma distribuidora de produções, além de coproduzir filmes e séries para a televisão por meio da MGM TELEVISION ENTERTAINMENT. Seus filmes e o canal de televisão são vistos em mais de 130 países ao redor do mundo. Um dos grandes negócios financeiros do estúdio é o licenciamento de seus filmes e personagens.

Você sabia?
No logotipo do MGM é possível ver um círculo ao redor do leão com inscrições em latim. É o lema do estúdio: Ars Gratia Artis, ou seja, Arte pela Arte.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 19/12/2011

Um comentário:

Rodrigo disse...

muito bom esse blog.
e as histórias das marcas são contadas muito detalhadamente, parabéns.