17.7.06

HYUNDAI

Qualidade e uma marca forte. Estas são as duas prioridades da HYUNDAI para se preparar para o futuro. Não satisfeita em seguir e aprender, a montadora coreana busca, agora, liderar a indústria automobilística e moldar a evolução dos veículos motorizados. Com seu objetivo divulgado publicamente de tornar-se um dos cinco maiores fabricantes de carros do mundo até 2010, o que foi cumprido à risca, a marca HYUNDAI deu início a uma verdadeira revolução interna, produzindo veículos campeões de venda e equipados com as mais modernas tecnologias disponíveis. O resultado: é a montadora que mais cresce no mundo atualmente.

A história
A montadora nasceu oficialmente no dia 29 de dezembro de 1967 dentro do conglomerado Hyundai Engineering and Construction Company, fundado em 1947 por Chung Ju-Yung, com a ajuda de seu irmão mais novo, Se-Yung Chung, na Coréia do Sul quando esta ainda se recuperava da guerra, tentando encontrar seu caminho em meio a uma economia global em fase de grande crescimento. Para poder competir com as tradicionais indústrias européias, americanas e japonesas, a HYUNDAI (palavra proveniente do coreano hyeondae, que significa “modernidade”) teria que absorver tecnologias de outras marcas e se desenvolver em tempo recorde. Essa trajetória começou em 1968, quando a empresa obteve a licença para montar alguns modelos da americana Ford apenas para o mercado interno. O primeiro deles foi o Ford Cortina, seguido pelo Ford Granada. Mas o primeiro carro totalmente desenvolvido pela marca coreana surgiria apenas em 1974, o pequeno modelo Pony, apresentado oficialmente ao público no Salão de Turim na Itália e direcionado para segmentos de baixa renda.


Apesar de ter sido concebido pela HYUNDAI, o Pony utilizava tecnologia dos japoneses da Mitsubishi, como por exemplo, o motor, a transmissão, o eixo traseiro e a suspensão; além de ter sido desenhado pelo estúdio de design italiano de Giorgetto Giugiaro. No ano seguinte a montadora lançou o modelo Excel, além de inaugurar uma nova fábrica na Coréia do Sul, capaz de produzir 300 mil veículos por ano. Em 1976, o modelo Pony foi o primeiro a ser exportado, com 1.042 unidades sendo enviadas para o exterior. Seis anos depois, a segunda geração do Pony foi apresentada, já com linhas mais modernas e acabamento mais sofisticado, e em 1984 atingiu um total de 500 mil unidades produzidas. Nesse mesmo ano foi apresentado o modelo Stellar, um sedã compacto para substituir o Ford Cortina. No ano seguinte a HYUNDAI atingiu o total de um milhão de carros produzidos e apresentou seu primeiro modelo de luxo, o Grandeur.


Em 1986 começou a exportar para os Estados Unidos o modelo Excel, ingressando oficialmente no maior mercado consumidor do mundo. Este modelo foi bem aceito inicialmente pelo mercado, mas após a errônea tentativa de baixar o preço, acabou reduzindo junto sua qualidade, o que resultou em uma imagem extremamente negativa da HYUNDAI no que diz respeito à qualidade perante os consumidores americanos. O Excel estava sujeito a problemas de controle de qualidade e precisava frequentemente de trocas de peças. As vendas emperraram, e a HYUNDAI virou motivo de chacota. Sua imagem era tão ruim que o popular apresentador David Letterman do “Late Show” (programa de entrevistas americano com elevados índices de audiência) divulgou uma lista das 10 pegadinhas mais engraçadas para se fazer com os astronautas no espaço, e a número 8 era “colar o logotipo da HYUNDAI no painel de controle da nave”. Em 1987 ingressou no segmento dos mini-carros e dos caminhões. Quase no final desta década montou uma fábrica destinada a construir motores V6 e lançou o cupê esportivo Scoupe e o luxuoso modelo Sonata.


Somente no ano de 1991, a HYUNDAI apresentou o primeiro motor de fabricação própria, batizado de Alpha, iniciando assim o caminho para a independência tecnológica, dando origem a uma família de motores com invejáveis níveis de desempenho e economia. E um dos principais motivos de orgulho dessa independência tecnológica ocorreu ainda neste mesmo ano, quando a empresa começou a exportar motores para a Mitsubishi. Foi como se o aluno tivesse superado o professor. O ano de 1996 foi de extrema importância para a montadora coreana, pois além de completar a construção da planta em Asan, uma das mais modernas fábricas de automóveis no mundo, superou a marca de 10 milhões de veículos produzidos em sua história. Um ano depois, a HYUNDAI colocava o pé definitivamente na Europa, com a inauguração de uma fábrica na Turquia. A grave crise econômica vivida pela Coréia do Sul em 1998 desencadeou uma onda de fusões no país, e foi quando a HYUNDAI comprou a KIA MOTORS, formando o grupo Hyundai Kia Automotive Group.


No final desta década, com uma imagem associada à má qualidade, principalmente no mercado americano, a montadora decidiu então apostar fortemente na qualidade e design de seus automóveis, o que aliado a um grande investimento em marketing acabou rendendo resultados mais que satisfatórios após alguns anos, sendo a marca HYUNDAI, hoje em dia nos Estados Unidos, associada à alta qualidade e tecnologia de ponta. Ao mesmo tempo, precisou inovar para atrair consumidores relutantes de volta às concessionárias. Em 1999, começou a oferecer 10 anos de garantia, na época a mais longa da indústria, de forma a reconstruir a confiança em seus automóveis. E para competir com marcas maiores e consagradas, encheu seus carros com características especiais que muitos de seus rivais vendiam como itens opcionais. A HYUNDAI reforçou seu título de um dos melhores fabricantes de automóveis ao ganhar em 2003 o “Global Automotive Shareholdes Value Award”, entregue pela PriceWaterhouse Coopers e Automotive News, pelo segundo ano consecutivo, obtendo sucesso absoluto na Pesquisa de Satisfação do Consumidor, feita pela J.D. Power and Associates. Esta mesma pesquisa classificou o modelo Sonata em primeiro lugar em sua Pesquisa Inicial de Qualidade de 2002 e 2003. Era um passo e tanto para a montadora coreana reconquistar a confiança dos consumidores e fixar ainda mais seu novo posicionamento.


Ao implantar quatro políticas de gerenciamento em 2004, a HYUNDAI acelerou seu desenvolvimento. Em primeiro lugar, aprimorou seu gerenciamento global estabelecendo sistemas de suporte no mundo todo para se tornar um competidor global em crescimento, expandir suas fábricas para outros países e levar sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento acima do padrão da indústria. Em segundo lugar, ao redefinir sua identidade como um fabricante de automóveis sofisticados e avançados tecnologicamente, agregou mais valor à sua marca. E ao melhorar seu sistema de desenvolvimento de produtos maximizou seu valor corporativo. Em terceiro lugar, manteve suas capacidades de gerenciamento sustentáveis e se comprometeu a cumprir suas responsabilidades sociais ao desenvolver veículos mais seguros e ecológicos ao mesmo tempo em que respeitou seus valores fundamentais, lutando pela ética no gerenciamento e expandindo contribuições para causas sociais.


Por último, deu maior importância ao setor de recursos humanos. Expandindo o recrutamento de engenheiros e especialistas globais, indivíduos talentosos dos mais variadas nacionalidades. O resultado dessas medidas pode ser comprovado nos dias de hoje: a HYUNDAI é a montadora que mais cresce no enorme mercado americano e também no mundo, oferecendo automóveis excepcionais como os novos ix30 e ix35, as novas gerações dos modelos Sonata, Azera e Elantra, além do surpreendente Veloster. Além disso, para os motores 1.4 do modelo i20, a montadora desenvolveu uma versão mais ecológica, chamada de Blue Drive. Para reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, a emissão de gases poluentes, foram integrados ao carro o sistema Start/Stop, que desliga o motor a combustão quando o veículo está parado, pneus de baixa resistência aos rolamentos e um sistema de gestão do alternador. De acordo com a marca, a linha Blue Drive emite 114 g de CO2 por quilômetro rodado. E não parou por aí: lançou o Avante LPi híbrido em 2009 e o Sonata híbrido em 2011. Além disso, a HYUNDAI planeja lançar em breve veículos elétricos híbridos no mercado, e já está operando frotas de teste de seus veículos elétricos com célula de hidrogênio e veículos totalmente elétricos, chamados “BlueOn”. No Brasil, os investimentos estão sendo intensificados. A matriz desembolsou US$ 700 milhões para começar as obras da fábrica em Piracicaba, no interior de São Paulo, que a partir de 2013 terá capacidade para produzir 150 mil veículos, entre eles um novo carro desenvolvido especialmente para o mercado nacional.


A linha do tempo
1988
Lançamento do sedã de grande porte SONATA, primeiro automóvel fabricado pela HYUNDAI utilizando exclusivamente tecnologia própria. O modelo está atualmente em sua sexta geração (lançada em 2010), e, em alguns mercados, é comercializado com o nome i45.
1991
Lançamento do sedã compacto ELANTRA (em alguns mercados conhecido como AVANTE). Recentemente a montadora introduziu sua mais nova geração.
Lançamento do esportivo SCOUPE.
1992
Lançamento do GRANDEUR LUXURY, um automóvel de tamanho grande e luxuoso para a época.
1995
Lançamento do compacto ACCENT, equipado com motor Alpha, que viria a ser um grande sucesso de vendas.
1996
Lançamento do DYNASTY, um sedã voltado ao mercado de luxo. O modelo teve sua produção encerrada em 2005.
1997
Lançamento do ATOS, um hatch de porte mini, sendo o primeiro modelo urbano da montadora coreana. Com designer irreverente, inicialmente o modelo foi equipado com um motor 1.0 de 55cv.
1998
Lançamento do H1, um furgão que rapidamente se impôs no mercado graças as suas características de espaço, versatilidade, economia e confiabilidade.
1999
Lançamento do luxuoso sedã de porte grande EQUUS (também conhecido como CENTENNIAL). Atualmente é o modelo mais sofisticado da marca coreana, e nos Estados Unidos é equipado com o motor de 5.0 litros GDI V8 que entrega 435 cavalos de potência associado a um câmbio automático de oito velocidades.
2001
Lançamento do seu primeiro SUV (Sport Utility Vehicle) chamado SANTA FÉ. O modelo de porte médio se tornou um dos automóveis mais vendidos da marca no mundo. O modelo já vendeu mais de 2 milhões de unidades no mundo inteiro.
Lançamento da minivan de porte médio MATRIX (ou LAVITA em alguns mercados).
2002
Lançamento do TERRACAN, um utilitário esportivo de luxo, configurado para sete ocupantes, cujo principal atrativo era o sistema de injeção de combustível chamado CRDI (Common Rail Direct Injection) que equipava o motor Turbodiesel de 2.9, resultando num conjunto bem mais silencioso e com menos vibrações, aumentando assim o conforto principalmente em viagens de longa distância.
Lançamento do super-mini GETZ (também conhecido como CLICK).
2004
Lançamento do TUCSON, um veículo utilitário esportivo compacto de excelente desempenho tanto na cidade como na estrada, que se transformou em uma dos maiores sucesso de venda da montadora. Com design bem moderno, linhas angulosas, que faziam o carro parecer menor do que realmente era, o modelo rapidamente caiu nas graças do consumidor, especialmente no Brasil.
Apresentação de seu primeiro modelo de automóvel híbrido.
2005
Lançamento do AZERA (conhecido como GRANDEUR na Coréia do Sul), um sedã de luxo especialmente desenvolvido para o mercado americano. Em 2011 foi apresentada a nova geração do modelo, que segundo a empresa, foram investidos mais de US$ 1 bilhão em um projeto que levou três anos para ser concluído. Em sua nova versão o modelo veio ainda mais sofisticado, ainda mais avançado e muito mais equipado.
2006
Lançamento do VERA CRUZ, um utilitário esportivo luxuoso de médio porte. Com visual mais cosmopolita (e americano), o modelo é maior que seus irmãos Tucson e Santa Fé e teve suas linhas criadas no novo centro de design da marca, localizado na Califórnia. O nome do modelo foi inspirado na cidade mexicana de Veracruz. Tucson e Santa Fé, aliás, também são nomes de cidades, só que americanas. Tucson fica no estado do Arizona e Santa Fé no Novo México. A nova geração do modelo é conhecida pelo nome de ix55 na Europa.
2007
Lançamento do compacto esportivo i30. O modelo, com designer agressivo, deu início a uma nova linha de modelos, iniciada por “i” de inspiração, mas também de inteligência e de integridade, que daria futuramente origem ao i10 (sucessor do modelo Atos) e i20 (sucessor do Getz vendido na Europa). Além disso, o modelo oferece também a versão perua, conhecida como i30cw, lançada no ano seguinte.
Lançamento do hatchback urbano i10.
2008
Lançamento do GENESIS, um sedã esportivo de luxo. O modelo é equipado com os motores V6 de 3.3 e 3.8 litros, além de um V8 de 4.6 litros. O grande diferencial do modelo é, na verdade, a tração traseira. Com câmbio automático de seis velocidades, acelera de 0 a 100 km/h em menos de 6 segundos. Também neste ano foi lançada sua versão esportiva cupê.
2009
Lançamento do compacto i20, nas versões três e cinco portas.
2010
Lançamento do ix35, mais nova geração do utilitário esportivo TUCSON. O nome só é usado no Brasil para não gerar confusão com a antiga TUCSON que continua sendo produzida aqui.
Lançamento do monovolume ix20. Criado sobre a plataforma do Kia Venga, o carro foi desenvolvido pelo Centro Europeu de Design da HYUNDAI, em Russelsheim na Alemanha.
2011
Lançamento do VELOSTER, um cupê hatchback compacto e esportivo com design extremamente arrojado cuja estrutura fluida e esculpida, propõe transmitir sensação de movimento e equilíbrio. O modelo é considerado inovador, especialmente por possuir apenas 3 portas, que trazem total segurança para desembarque de passageiros pelo lado direito, além do teto totalmente de vidro. Seu nome é resultado da combinação das palavras “velocity” e “roadster”.
Lançamento do i40, disponível nas versões sedã e perua (station Wagon). Com o novo modelo, a intenção da marca é se firmar no conceito de “modern premium luxury”, comparando os níveis de conforto e praticidade com os de um Audi, porém a um preço menor. Externamente o modelo segue o conceito de estilo “escultura fluída” dos últimos lançamentos da HYUNDAI, com a grade dianteira hexagonal, faróis dianteiro que se estendem para a lateral e a linha de cintura ascendente. O modelo oferece várias tecnologias, como por exemplo, o assistente de estacionamento inteligente, câmera de visão traseira, sistema de navegação, Bluetooth com reconhecimento de voz, assentos dianteiros, além de volante aquecido e freio de estacionamento elétrico.


Uma fábrica eficiente
Para entender a maior reviravolta na história da indústria automobilística é preciso ir à cidade de Ulsan localizada no sudeste da Coréia do Sul. Sobrevoá-la impressiona. Principalmente quando se tem a informação de que, há pouco mais de 40 anos, aquele local abrigava uma vila de pescadores, onde viviam somente 500 pessoas. Hoje, o que se vê de cima é o maior complexo industrial do mundo, numa metrópole que já tem mais de um milhão de habitantes. Numa das pontas do litoral fica o estaleiro da Hyundai Heavy Industries, que é líder global na fabricação de grandes navios. Em outra reentrância costeira está localizada a principal fábrica de automóveis da HYUNDAI, também, a maior do mundo. Com capacidade para produzir mais de 1.6 milhões de veículos por ano, a planta ocupa uma área de cinco milhões de metros quadrados, onde trabalham mais de 34 mil pessoas.


Visitar Ulsan é entender as razões do sucesso do modelo asiático de desenvolvimento. E a fábrica de automóveis da HYUNDAI fornece a resposta exata para o enigma. Para se ter idéia do gigantismo da planta de Ulsan, basta dizer que a sua capacidade instalada representa quase 60% da produção de veículos no Brasil – e por aqui existem mais de 34 fábricas. Só que tamanho não é tudo. Nas linhas de produção de Ulsan, onde são produzidos 12 modelos diferentes, cada veículo percorre as linhas de montagem com uma pequena folha de papel. Como a produção é feita praticamente sob demanda, em um modelo just-in-time, essa folha aponta destino final do produto e as características especiais de cada automóvel. Assim, os operários terminam os veículos de acordo com a encomenda. Depois de prontos, eles passam pela rigorosa inspeção e seguem para o pátio do porto. Só que o trajeto não dura mais do que dois ou três minutos. Isso mesmo. O terminal está logo ali, bem ao lado da fábrica. Com um cais de 8.3 mil metros, ele permite a atracação de três navios de grande porte. E por lá são embarcados nada menos que mais de 4.200 carros por dia útil. Desse porto, os automóveis partem para os mais diferentes pontos no mundo, processo tão eficiente que reduz de forma significativa os custos logísticos da empresa, tornando-os os mais baixos de toda a indústria automobilística. Para se ter uma idéia, a viagem para o Japão dura dois dias e o trajeto até a costa leste dos Estados Unidos leva duas semanas. Com uma logística tão afiada, a HYUNDAI, que controla a também coreana KIA, é a montadora que mais cresce no mundo.


O gênio por trás da marca
O arquiteto responsável pela grande ascensão da HYUNDAI é conhecido pelo nome de Chung Mong-Koo, que assumiu o cargo de chairman da empresa em 1998. Embora ele seja filho do fundador da empresa, desde o início estava claro que não teria moleza. Pouco antes de sua nomeação, a economia coreana havia sido devastada pela grave crise asiática de 1997, e a HYUNDAI foi obrigada a demitir 25% de sua força de trabalho. Para complicar ainda mais, em 1998 a montadora concordou em adquirir sua rival sul-coreana KIA. Chung tinha pouca experiência com a indústria automotiva – ele passou a maior parte de sua carreira gerenciando uma mistura de empresas afiliadas do grupo HYUNDAI, incluindo uma empresa de aço, uma indústria de tubos e canos, uma produtora de containers e a divisão de serviço de atendimento ao cliente da HYUNDAI MOTOR. Quando ele começou a anunciar suas intenções de tornar a HYUNDAI uma das cinco maiores montadoras do mundo, poucos fora da empresa o levaram a sério. A montadora, assim como muitas empresas familiares coreanas, era extremamente hierárquica e lenta para mudanças. Os gerentes raramente cooperavam entre si e os chefes de divisão dirigiam suas operações como um feudo privativo. Mas ele estava produzindo uma revolução silenciosa. Reverenciado pelos funcionários como membro do clã fundador, ele foi capaz de coletar informações rapidamente e impor suas vontades sobre a organização.


Depois de anos dirigindo a divisão de serviços de pós-venda, ele concluiu que os problemas de qualidade eram o ponto nefrálgico dos males da empresa. Ainda que sua revelação parecesse óbvia, não era assim para os funcionários da HYUNDAI. A ênfase sempre havia sido colocada em produzir automóveis rapidamente e de forma barata. Mas o novo executivo deu prioridade total à manufatura impecável. Para romper barreiras entre as divisões, ele forçou designers, engenheiros e gerentes de fábrica a trabalharem como uma equipe, criando comitivas para examinar detalhes de novos modelos e corrigir defeitos potenciais. Hoje em dia, duas vezes por mês, ele reúne executivos da montadora em uma sala de conferência da matriz em Seul para analisar assuntos relacionados à confiabilidade, às vezes trazendo um carro inteiro que fica suspenso por uma plataforma hidráulica de forma a permitir uma análise ao vivo. Nesse mesmo estilo, os milhares de trabalhadores da empresa são encorajados a fazer sugestões para melhorar a qualidade nas reuniões realizadas constantemente dentro das fábricas. Á curto prazo, a obsessão dele pela qualidade pode sair cara. Ele retardou o lançamento do modelo Sonata na Coréia do Sul por seis meses enquanto os engenheiros consertavam 50 pequenos defeitos. Em 2003, ele pediu a Lee, o executivo Sênior de Pesquisa e Desenvolvimento, que se livrasse dos ruídos irritantes feitos nas trocas de marcha do sedã Amanti, produzido pela KIA, da qual o grupo é proprietário. Lee ficou preocupado, pois teria que fechar totalmente a linha de produção para trabalhar no problema. “Eu disse a ele que perderíamos dois meses de vendas”, ele se lembra. O chairman disse, “Se é pela qualidade, tudo bem”.


Resolvido o problema da qualidade e com os preços baixos a seu favor, faltava à HYUNDAI contornar uma de suas maiores fragilidades: o design. Há uma década, a empresa passou a contratar os estúdios de design italianos, reconhecidamente os melhores do mundo, para desenvolver carros sob encomenda. A empresa também abriu um centro de desenvolvimento de design em Russelsheim, na Alemanha, e todos os seus carros globais passaram a ser criados ali. Ele também focou esforços para garantir que a HYUNDAI fosse competitiva com parâmetros japoneses de estilo e tecnologia. O orçamento para pesquisa e desenvolvimento expandiu 110% desde 1999, ultrapassando US$ 2 bilhões nos dias atuais. Além disso, investiu US$ 200 milhões para abrir ou expandir centros de pesquisa e design nos estados da Califórnia e Michigan. Um campo de provas de US$ 60 milhões no deserto de Mojave, estado da Califórnia, também foi inaugurado. Na Coréia do Sul, ele expandiu suas instalações de pesquisa e desenvolvimento, acrescentando um novo centro de design completo, equipado com cinema 3-D para visualizar modelos virtuais de novos automóveis. O perfeccionismo do executivo chega a tal ponto, que em uma ocasião ele examinava cuidadosamente uma alavanca de câmbio que tinha sido recém-desenhada para o sedã Sonata, enquanto todo o seu time de altos executivos se movimentava ao seu redor, esperando ansiosamente por sua aprovação. O nervosismo dos executivos era justificável: os engenheiros acrescentaram uma base de plástico sob a alavanca para prevenir que café derramado ou algum outro líquido entrasse no mecanismo e o tornasse pegajoso. Era uma modificação pequena, mas ninguém a tratava assim, muito menos Chung, um tipo durão e detalhista, com uma tendência para o micro-gerenciamento (“Ele ainda toma a decisão sobre o tamanho da árvore de natal que ficará no lobby da sede da empresa”, conta um ex-executivo da montadora).


Ele passou 6 anos martelando a mensagem de “Defeito Zero” na cabeça dos funcionários da HYUNDAI, e o resultado é uma das viradas mais surpreendentes da história automobilística mundial. Alguns anos atrás, a marca HYUNDAI era sinônimo de mediocridade. A cidade de Seul era o único lugar do mundo onde era provável ver um número maior de seus carros rodando pelas ruas. Hoje, a linha de sedãs e utilitários esportivos cheios de estilo, relativamente baratos e comprovadamente confiáveis, está na cola das marcas mais célebres da indústria e nos mercados mais importantes. Nos Estados Unidos, onde o modelo Sonata é uma alternativa de baixo custo para o Camry da Toyota e o Accord da Honda, as vendas da HYUNDAI explodiram. Na Europa aconteceu a mesma coisa. E o Brasil segue o mesmo caminho. O resultado é claro: a HYUNDAI foi a montadora que mais cresceu no mundo desde 1999. Mas nem só de glórias é constituída a carreira de Chung Mong-Koo. Recentemente, em 2007, ele foi condenado por acusações de fraude e sentenciado a três anos de prisão. Entre as acusações contra ele está a de ter arrecadado ilegalmente cerca de US$ 110.4 milhões de empresas afiliadas e que aproximadamente US$ 74.3 milhões desses recursos foram gastos com fins particulares e até com pagamentos a lobistas para obter facilidades no governo. Ele é acusado ainda de causar perdas a empresas afiliadas através de negócios que protegiam ou privilegiavam os próprios interesses e os do filho. Só não foi preso até hoje porque recorreu da decisão e a sentença definitiva ainda não foi julgada.


O logotipo e o nome
O nome Hyundai foi escolhido pelo seu significado, que em português quer dizer “modernidade”. O logotipo da marca é um símbolo do desejo da empresa de se expandir. A forma oval representa a expansão global da empresa e o “H” estilizado é um símbolo de duas pessoas (a empresa e o cliente), agitando as mãos.


Os slogans
New Thinking. New Possibilities.
(2011)
Drive your way. (2005)
Always There for You.
Driving is believing.
Prepare to want one.


Dados corporativos
● Origem:
Coréia do Sul
● Fundação:
29 de dezembro de 1967
● Fundador:
Chung Ju-Yung
● Sede mundial:
Seul, Coréia do Sul
● Proprietário da marca:
Hyundai Kia Automotive Group
● Capital aberto:
Sim
● Chairman & CEO:
Chung Mong-Koo
● CEO:
Kim Eok-Jo
● Faturamento: US$ 97.4 bilhões (2011)
● Lucro: US$ 4.7 bilhões (2011)
● Valor de mercado: US$ 41 bilhões (janeiro/2012)
● Valor da marca: US$ 6.005 bilhões (2011)
● Concessionárias:
6.000
● Vendas globais: 4.059.438 unidades (2011)
● Presença global: 193 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários:
80.000
● Segmento:
Automobilístico
● Principais produtos:
Automóveis, caminhões e ônibus
● Concorrentes diretos:
Honda, Toyota, Nissan, VW, Ford e Chevrolet
● Ícones: O atendimento ao cliente
● Slogan:
New Thinking. New Possibilities.
● Website: www.hyundai-motor.com.br

O valor
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca HYUNDAI está avaliada em US$ 6.005 bilhões, ocupando a posição de número 61 no ranking das marcas mais valiosas do mundo.

A marca no mundo
A coreana HYUNDAI é atualmente a quinta maior montadora de automóveis do mundo (levando-se em conta a marca KIA), vendendo seus veículos em 193 países através de 6 mil concessionárias. A empresa tem mais de 10 fábricas localizadas em países como China, Índia, Turquia, República Checa, Rússia, Egito e Brasil, além de uma moderna unidade localizada na cidade de Ulsan, que é a maior do mundo, com capacidade para produzir 1.6 milhões de automóveis anualmente. Além disso, a empresa possui seis centros de Pesquisa e Desenvolvimento de produtos espalhados pelos Estados Unidos (Irvine), Coréia do Sul (Ulsan), Alemanha (Frankfurt), Japão (Chiba) e Índia (Haidrabad). Em 2011 a montadora comercializou mais de 4 milhões de automóveis no mundo inteiro. Já no Brasil a montadora coreana fechou o ano em 6º lugar com 114.871 unidades vendidas.

Você sabia?
A HYUNDAI MOTOR, juntamente com a KIA MOTORS, respondem por aproximadamente 70% das exportações de automóveis da Coréia do Sul.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 3/2/2012

Um comentário:

Cesar Irikawa disse...

Hoje já é a 5ª maior do mundo, superando a Honda por exemplo.