29.5.06

IBM

Hoje em dia, os sistemas eletrônicos de processamento de dados têm fundamental importância nas atividades de exploração espacial, produção e aproveitamento de energia nuclear e em inúmeros outros campos da ciência e da indústria. Os computadores são vitais para que a vida, quer seja ela privada ou profissional, caminhe em direção ao futuro. E a IBM, chamada carinhosamente pelos americanos de “BIG BLUE”, foi uma das principais responsáveis por isso tudo. Por isso hoje em dia conduz seus negócios com a finalidade de entregar ao mundo tecnologia que beneficie a população e ajude a resolver problemas da sociedade.

A história
Tudo começou no final do século XIX, nos Estados Unidos, quando o estatístico Herman Hollerith idealizou uma solução eficiente para acelerar o colhimento e organização de dados para o censo de 1890. Concebeu diversas máquinas elétricas para a soma e contagem de dados, os quais eram representados sob a forma de perfurações adequadamente distribuídas em fita de papel, que representavam cada informação registrada. Através dessas perfurações, estabeleciam-se circuitos elétricos e os dados que representavam podiam, então, ser computados de forma rápida e automática. Com esse processo os Estados Unidos puderam acompanhar de perto o crescimento de sua população. Os resultados do censo foram fornecidos três anos depois e com isso, fez-se uma economia de vários anos de trabalho. Em 1896, ele criou a Tabulating Machine Company e introduziu inovações em sua descoberta. Assim, a fita de papel foi substituída por cartões, que viriam a ser o elemento básico das máquinas IBM de processamento de dados de algumas décadas atrás. No dia 16 de junho de 1911, duas outras empresas, a International Time Recording Co., de registradores mecânicos de tempo, e a Computing Scale Co., de instrumentos de aferição de peso, uniram-se a ela, por sugestão do negociante e banqueiro Charles R. Flint, formando-se então a Computing Tabulating Recording Co., conhecida pela sigla CTR.


Três anos mais tarde, Thomas J. Watson assumiu o caro de diretor-geral e estabeleceu normas de trabalho absolutamente inovadoras para a época. As constantes pesquisas de engenharia resultaram na criação e no aperfeiçoamento de novas máquinas de contabilidade, exigidas pelo rápido desenvolvimento industrial. Aquele pequeno grupo de homens havia aumentado e diversificado sua experiência. Os produtos ganhavam maior qualidade, surgiram novas máquinas e com elas novos escritórios de vendas e mais vendedores. Em fevereiro de 1924 a CTR mudou seu nome para aquele que ocuparia um lugar de liderança dentro do processo tecnológico: INTERNATIONAL BUSINESS MACHINES. A sigla IBM passou a ser, desde então, a fórmula para que a indústria e o comércio continuassem a resolver seus problemas de desenvolvimento. Em meados desta década, a IBM já controlava 85% do mercado de tabuladores e cartões perfurados. A tecnologia não era a especialidade de Watson, mas sua abordagem de marketing e vendas trouxe o mantra “Think” (Pense) e uma nova e forte cultura empresarial. Ele desenvolveu um exército de vendas, reconhecido pelo terno azul e camisa branca, treinado com músicas de incentivo e pronto para convencer executivos de diversas indústrias a adotar sistemas de contabilidade mecânicos. Watson também foi dos primeiros a incentivar a distribuição de bônus por desempenho e ainda prometia emprego vitalício, tendo até inventado um clube para os funcionários que estava á mais tempo na IBM.


Em conseqüência do constante e rápido desenvolvimento, a empresa criou em 1949 a IBM World Trade Corporation, uma subsidiária inteiramente independente, cujo objetivo era aumentar vendas, serviços e produção fora dos Estados Unidos. Em 1981 introduziu no mercado o PC (Personal Computer) revolucionando o segmento da informática e que seria o principal responsável pela redefinição da vida moderna. O computador pessoal, chamado de IBM 5150, estabeleceu um padrão que fez com que as máquinas passassem a ocupar os lares e as vidas das pessoas. A volumosa máquina, vendida ao preço base de US$ 1.565, tinha 64 quilobytes de memória que podiam ser atualizados. A empresa tinha com estimativa que fossem vendidas 2.000 máquinas. Mas a cifra logo atingiu as centenas de milhões de unidades vendidas. Era o começo do sucesso da IBM. A partir de então, a Divisão de Computação Pessoal da IBM (desktops e notebooks) literalmente inventou a computação pessoal com inovações tais como a criação do primeiro notebook.


Porém, no ano de 1993, em conseqüência da revolução dos computadores pessoais e de sua estrutura organizacional ineficiente, a IBM somava prejuízos de US$ 16 bilhões e já tinha demitido mais de 175 mil pessoas. Suas ações caíram 50% em um ano e chegaram a míseros US$ 12. Em abril, o executivo Lou Gerstner, insistentes convites, aceitou suceder a John Akers, assumindo o cargo de presidente. Sua missão: sanar a mais séria crise da história da IBM. Ex-consultor da McKinsey, diplomado em Harvard, ele tinha 50 anos e larga experiência em “consertar” empresas problemáticas, como havia feito com a American Express e a RJR Nabisco. Ao chegar, descartou imediatamente a idéia de esquartejar a IBM e vender seus pedaços, o que era bastante comum na época. Em vez disso, fortaleceu a área de serviços, reconstruiu a cultura interna estraçalhada pela crise e apostou no fenômeno da Internet com a criação do conceito e-business, cunhado em 1997, para mostrar os vários caminhos que a rede mundial de computadores poderia ter, mudando o mundo dos negócios e a sociedade. A campanha “e Business” foi introduzida no mercado no ano seguinte com um enorme sucesso e desde então o termo começou a ser utilizado como um verbete que significa “negócios on-line”. O executivo salvou a empresa e deu-lhe uma visão do futuro: a função de integradora de tecnologias e serviços para clientes corporativos cansados de lidar com dezenas de fornecedores conflitantes.


Ao longo dos últimos anos, a IBM transformou completamente seu modelo de negócio. O tipo de trabalho que a empresa pode realizar hoje é muito diferente do trabalho de alguns anos atrás. A IBM se desfez de várias atividades que já tinham se transformado em commodities, como os segmentos de PCs e Impressoras (vendidos em 2005 por US$ 1.75 bilhões para a chinesa Lenovo), e ampliou os investimentos em áreas-chave de alto valor, como consultoria, informação on Demand e serviços. Para se ter idéia desta transformação, há pouco mais de 15 anos, a IBM extraía 90% de sua receita de aparelhos e programas de computador e passava por uma séria crise. Hoje em dia, depois uma de uma revolucionária transformação, se transformou em um gigante do setor de serviços tão poderoso quanto muitos países do mundo, sendo líder na criação, desenvolvimento e manufatura das mais avançadas tecnologias de informação da indústria, incluindo sistemas de computadores, software, sistemas de rede, dispositivos de armazenamento e microeletrônica.


Embora “cem anos de inovação” seja parte importante do projeto de celebração do centenário da IBM, não é no passado que a empresa está se baseando para envolver todas as atividades de comemoração, que estão acontecendo em 2011. Watson, o supercomputador que venceu um ser humano na recentemente na série de rodadas do famoso programa americano de perguntas e respostas Jeopardy, é um bom exemplo. Este supercomputador, desenvolvido durante quatro anos, agora será preparado para tornar-se um produto na linha comercial futura da empresa dentro de alguns anos e uma das aplicações será na área da saúde (health care), utilizando sua habilidade de responder e fazer perguntas para ajudar profissionais da medicina. A agenda do centenário foi batizada de “Celebration of Service” (Celebração do Serviço) que contempla uma série de iniciativas envolvendo comunidade, como por exemplo, colocar seus 400 mil funcionários no mundo todo fazendo diversos tipos de trabalho voluntário no mesmo dia. Vale a pena assistir o curta-metragem “100 x 100” (
clique aqui), com cem anos de passado, contados por pessoas que nasceram em cada um desses anos. Outro filme, chamado “They Where There”, explora seis grandes momentos da humanidade em que a IBM esteve presente.


A linha do tempo
1952
Criação do IBM 701, primeiro computador comercial de grande porte, com memória RAM de 1kb.
1971
Lançamento do Floppy Disk, conhecido popularmente como disco flexível.
1975
Criação do primeiro computador portátil batizado de IBM 5100.
1992
Lançamento do IBM THINKPAD, primeiro laptop com tela TFT (Thin Film Transistor) colorida, de 10.4 polegadas e equipado com o novo dispositivo apontador TrackPoint (botão vermelho).
1993
Lançamento do laptop com caneta conversível para as pessoas capturarem seus pensamentos e idéias mais facilmente e não perder seu tempo teclando.
1994
Lançamento do laptop THINKPAD 755, primeiro com CD-ROM integrado, possibilitando carregar e utilizar grandes quantidades de dados.
1995
Apresentação do “teclado borboleta”.
1997
Lançamento do laptop THINKPAD 770, primeiro com DVD-ROM integrado, permitindo assistir vídeos de alta qualidade.
1998
Apresentação do primeiro ThinkLight da indústria, uma pequena luz que ilumina o teclado em ambientes de pouca iluminação.
1999
Lançamento do DeveloperWorks, um site com projetos de softwares livres e gratuitos com mais de 5.7 milhões de desenvolvedores independentes associados. O comprometimento com a comunidade de código aberto (que defende programas de computador gratuitos e melhorados, em colaboração, por pessoas de todo o mundo) é o maior símbolo da nova fase da empresa.
Lançamento do conceito de negócios digitais batizado de e-Business.
Lançamento do primeiro computador da indústria com um chip de segurança integrado.
Lançamento do primeiro mini-notebook da indústria.
2000
Lançamento do IBM e-Server, uma nova geração de servidores.
Lançamento do IBM NetVista, computador com visual arrojado e disquete e DVD-ROM escondidos sob o monitor.
2001
Lançamento do THINKPAD TransNote, laptop revolucionário que integra papel, tinta e computação móvel dentro de um espaço de trabalho digital.
2003
Lançamento do primeiro notebook com duração estendida de bateria, de até 11 horas.
Lançamento do primeiro notebook da indústria com um “airbag” para o disco rígido e para a proteção da informação caso o sistema sofra uma queda.
2004
Lançamento do primeiro notebook com leitor de impressões digitais integrado.
2007
Criação da SERVICE RESEARCH INITIATIVE, uma organização inédita para, com outras empresas (entre elas as rivais Oracle e Microsoft), universidades e o governo americano, estimular inovações em serviços. Além de financiar estudos, a SRI é um pólo de troca de experiências e resolução de problemas.
Apresentação do Blue Gene/P, a segunda geração do computador mais potente do mundo, triplicando o desempenho do seu antecessor, o Blue Gene/L – atualmente o computador mais rápido do mundo.


A sede
A sede mundial da IBM está localizada em Armonk, a 40 minutos de Manhattan, nos Estados Unidos. Além do Thomas Watson Research Center, o seu maior centro de pesquisa e que leva o sobrenome de seu fundador, o terreno de 4 milhões de metros quadrados (em grande parte uma reserva ecológica) abriga uma construção envidraçada esculpida em formas assimétricas. Lá ficam as salas da maioria de seus altos executivos. Por mais global que a empresa seja, é ali que pulsa o seu coração. Na entrada do edifício, três videogames são a primeira coisa com que se deparam os visitantes. Não, eles não foram feitos pela IBM. Mas dentro de cada um deles estão os símbolos de como a segunda maior empresa de tecnologia americana quer ser percebida no mundo – “A inovadora dos inovadores”, como diz seu novo slogan. Os chips, sim, estampam a marca IBM e são resultados de parcerias de tecnologia e experiências com a Sony, a Nintendo e até com sua concorrente, a Microsoft.


Os laboratórios
Um microscópio que enxerga um átomo e que revolucionou a compreensão da matéria. Um tipo de cerâmica usada em trens japoneses ultra-rápidos que não oferece resistência à passagem da eletricidade. Uma teoria que está ajudando a explicar matematicamente irregularidades existentes na natureza (de flocos de neves à formação das estrelas). Cinco Prêmios Nobel. Laboratórios de pesquisa e recorde em registro de patente. Invenções, prêmios e infra-estruturas como essas são normalmente associadas a grandes universidades. Mas o microscópio de tunelamento, os materiais cerâmicos de alta condutividade e a geometria fractal saíram dos laboratórios da IBM. De suas linhas de produção saem dispositivos portáteis, soluções de comércio eletrônico e idéias. Muitas idéias. Anualmente a IBM injeta em seus laboratórios US$ 6.15 bilhões. Mas o que faz uma empresa investir tanto dinheiro em idéias e invenções que ainda podem demorar muito tempo para chegar ao cotidiano das pessoas e, conseqüentemente, começar a dar retorno financeiro? Além de lucro, o investimento em pesquisa traz capital intelectual para a empresa e aumenta sua competitividade (a IBM possui mais de 38.000 patentes). Uma boa parte desse investimento bilionário retorna para os cofres da empresa. Os mais de 3.000 pesquisadores que trabalham para a IBM concentram seus esforços em áreas ligadas à tecnologia de computação: química, ciência da computação, engenharia elétrica, ciência dos materiais, ciências matemática e física. E nas chamadas “disciplinas cruzadas”. São campos de pesquisas que envolvem diversos setores da ciência, como a computação de grande porte (ramo que gerou o Deep Blue, supercomputador que bateu o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov em uma partida), as tecnologias de monitores, os sistemas pessoais que simplificam o uso dos computadores e as tecnologias de semicondutores. Além dessas áreas, os cientistas de várias nacionalidades (inclusive brasileiros) ainda desenvolvem pesquisas em armazenamento de dados, servidores e sistemas integrados e design para VLSI (integração em escala muito grande), que estuda soluções para redes e computadores de grande capacidade. Hoje em dia a IBM possui 8 importantes centros de pesquisas espalhados por seis países:
Thomas Watson Research Center
Centro nervoso da divisão de pesquisa da IBM, o TWRC foi o primeiro laboratório construído pela empresa, em 1961. Hoje ele possui quatro unidades em três cidades: Westchester County, Nova York e Cambridge. Ao todo, emprega quase 1.800 pessoas. Seus focos de pesquisa são: física e ciências do computador, semicondutores, tecnologia de sistemas, matemática e serviços de informação, aplicativos e soluções.
Almaden Research Center
O laboratório encravado em pleno Vale do Silício emprega 500 pesquisadores. Ele foi o primeiro centro criado pela empresa, em 1955. Suas especialidades são ciência da computação, sistemas e tecnologia de armazenamento e ciências físicas. Foi em Almaden que pela primeira vez átomos foram movidos individualmente, pelo cientista Don Eigler. Em 1970, um artigo produzido nesse laboratório sobre bancos de dados relacionais abriu as portas para a hoje milionária indústria de banco de dados.
Austin Research Laboratory
Localizado no Texas, o laboratório foi criado em 1995 para explorar o campo dos micro-processadores. Foi o primeiro lugar no mundo onde um processador alcançou a velocidade de 1 GHz. O centro também se destaca por suas parcerias com a Universidade do Texas e com a Universidade Rice. Com mais de 40 pesquisadores, suas especialidades são: protótipos e desenho de sistemas para máquinas de alta eficiência energética, circuitos avançados, ferramentas para desenho e verificação no CAD (programa de engenharia em 3D), software e multiprocessadores.
China Research Laboratory
Construído em 1995, o laboratório de Pequim conta com quase 100 cientistas. Suas especialidades são processamento de linguagem, reconhecimento de escrita e de voz, computação onipresente, computação móvel, multimídia e tecnologias e soluções para e-business.
Haifa Research Laboratory
Em Haifa, Israel, a IBM pesquisa sistemas integrados, tecnologias de verificação, subsistemas de armazenamento, e-business e segurança, sistemas de computador, ambientes e linguagens de programação, aplicações avançadas, matemática aplicada, multimídia e tecnologias de serviço. Ao todo, são cerca de 500 os pesquisadores que trabalham neste centro, criado em 1972. Uma das invenções criada aqui foi o InCommonSense, um mecanismo que resume sites e descreve resultados de busca automaticamente.
Tokyo Research Laboratory
Criado em 1982, o centro de Tóquio pesquisa tecnologia de programas e de sistemas, computação onipresente e aplicativos para a Internet. Em parceria com o Watson, o laboratório da capital japonesa recentemente desenvolveu o protótipo de um relógio de pulso com processador interno e sistema operacional Linux. A idéia é fazer do produto um verdadeiro computador de pulso.
Zurich Research Laboratory
O laboratório de Zurique, na Suíça, foi o primeiro a ser construído fora dos Estados Unidos. Com mais de 300 pesquisadores, destaca-se por ter sido berço de duas pesquisas ganhadoras do prêmio Nobel. Uma delas foi relacionado a nanoctecnologia, com a invenção do microscópio de tunelamento eletrônico, em 1986. No ano seguinte, a descoberta do fenômeno da supercondutividade rendeu outro Nobel ao centro. Atualmente, as especialidades do centro são ciências do computador, sistemas de comunicação e soluções para laboratórios industriais.
India Research Laboratory
O centro de pesquisas da IBM na Índia é o mais recente dos oito. Emprega mais de 60 pesquisadores e suas especialidades são: e-commerce, filtragem de informações (mining), detecção de impressões digitais, reconhecimento de voz, previsão do tempo e redes sem fio.


O gênio por trás da marca
Um nome em particular foi responsável direto por tornar a IBM o que ela é nos dias de hoje: Thomas J. Watson. Ele chegou à empresa em 1914, assumindo o cargo de diretor-geral. Ele formou o seu pensamento empresarial na NCR (National Cash Register), onde aprendeu, desenvolveu e ganhou reputação por suas técnicas de vendas. Um escândalo - que envolveu outros 30 executivos, incluindo o presidente do conselho, John Patterson - pelo seu papel em táticas para tirar vendedores de máquinas usadas do negócio e que violavam a lei antitruste, causou sua saída da empresa e condenação. Certo do trabalho e condições que desejava, ele declinou propostas e se aproximou de Charles R. Flint, principal executivo da empresa na época, em busca de uma oportunidade de negócio e controle similar ao que tinha na NCR. Flint não se preocupou em contratar um condenado, mas preferiu dar a ele o cargo de diretor-geral, e não a presidência das operações, sob o risco de Watson ter de cumprir pena, o que nunca aconteceu. Ele trouxe resultados rápidos e a CTR atingiu US$ 16 milhões de receita em 1920, o que, no entanto, levou a dificuldades de caixa. Em 1924, com a morte de George Fairchild, acumulou o cargo de presidente do conselho ao de presidente. Mesmo considerado irascível, conseguiu espalhar suas idéias por todas as áreas da IBM. Ao mesmo tempo em que era carismático, otimista e generoso, ele também era egocêntrico e agressivo para conseguir o que queria. Nascido em família pobre, começou a carreira como caixeiro viajante e inspirou entusiasmo e lealdade na empresa, mas também se cercou de pessoas que não o contradiziam e errou ao tomar decisões por instinto. Ele deu oportunidades à jovens com potencial e levou a IBM a ser pioneira em treinar mulheres, na década de 30. Como percebeu que os gerentes resistiam a contratar as mulheres nos programas de treinamento, demitiu todos os homens que se formaram no mesmo ano. À medida que os anos passaram, Watson se tornou mais egocêntrico, o que teria sido a causa do seu envolvimento no episódio mais polêmico de sua carreira. Em 1937, ele aceitou uma medalha de Hitler com a expectativa de que teria alguma influência junto ao ditador nazista a ponto dele acolher sua campanha pela paz mundial por meio do comércio internacional. Foi apenas com sua morte em 1956 que Watson deixou o controle da IBM, mas conseguiu fazer a sua sucessão, com o filho Thomas Watson Jr. Sob sua liderança, a empresa entrou, na segunda metade do século, no negócio de computadores, área em que manteve a hegemonia até os anos 80.


Uma campanha inteligente
No final de 2008, no mês de novembro, a IBM lançou sua mais agressiva campanha global de marketing denominada Smarter Planet (Planeta Inteligente), tendo como slogan “Let’s Built a Smarter Planer” e o objetivo de promover a sustentabilidade através da aplicação da tecnologia em todo o planeta, buscando idéias mais inteligentes e efetivas.


A campanha é a visão e crença da IBM no fenômeno da globalização, que tem aproximado e conectado pessoas, empresas e objetos de forma nunca vista antes, alinhado à tecnologia cada vez mais acessível a todos, representando um imenso potencial para usar a tecnologia para a criação de um planeta mais saudável e sustentável, com menos desperdício e, sobretudo, mais inteligente. Que a sociedade se sinta mais segura ao andar pelas ruas, gaste menor tempo possível no trânsito e evite o desperdício de água e energia. Afinal, a missão da IBM é usar a tecnologia para construir pilares sólidos e eficientes tanto para ajudar a reduzir a complexidade dos negócios das empresas, como para a vida em sociedade. A enorme campanha tem como objetivo disseminar novas maneiras de interação tecnológicas para o progresso do planeta. Cada interação representa a chance de fazer algo melhor, mais eficiente, mais produtivo para que os sistemas tornem-se mais espertos e eficientes. As iniciativas abordam os mais diversos campos como energia, educação, cidades, telecomunicação, saúde, tráfego, alimentação, água, segurança, infra-estrutura, computação em nuvem, entre outras. Para isso, a IBM criou vários ícones que representam os mais diversos campos de aplicação com inteligência da tecnologia.


A evolução visual
Um dos logotipos mais famosos e reconhecidos do mundo é o tradicional azul da IBM. Mas para chegar a este estágio, o logotipo passou por inúmeras e profundas reformulações durante a história da empresa. O logotipo da IBM começou a sofrer suas primeiras alterações em 1911, quando a International Time Recording Company e a Computing Scale Company se fundiram para formar a Computing-Tabulating-Recording Company. A segunda alteração ocorreu em 1924, quando a empresa adotou o nome International Business Machines Corporation e lançou um novo logotipo. No final dos anos 40, a IBM lançou uma difícil transição de punched-card tabulating para computadores, chefiada pelo seu CEO Thomas J. Watson. Para assinalar esta mudança radical, em 1947, a IBM mudou sua identidade visual pela primeira vez em mais de duas décadas: um simples logotipo tipográfico, que utilizava pela primeira vez a cor azul. Em 1956, com a liderança da empresa a prestes a ser passada ao filho de Watson, o genial Paul Rand mudou o logotipo da IMB para ter “uma forma mais sólida, fundamentada e de equilibrada aparência” e, ao mesmo tempo, fez a mudança sutil o suficiente para comunicar que existia uma continuidade na passagem da liderança da empresa de pai para filho. Foi em 1972 que ocorreu a última grande mudança no visual da IBM, surgindo o famoso logotipo azul com listradas para simbolizar a velocidade e o dinamismo da empresa na época. O logotipo conhecido como “8-bar” também foi criado pelo designer gráfico Paul Rand.


Os slogans
I think, therefore IBM.
Think.
IBM. Computers help people help people.
Solutions for a small planet.
On Demand Business, in demand people.
Let’s build a smarter planet.



Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 16 de junho de 1911
● Fundador:
Herman Hollerith
● Sede mundial:
Armonk, New York
● Proprietário da marca: International Business Machines Corporation
● Capital aberto: Sim
● Chairman & CEO: Samuel J. Palmisano
● Faturamento: US$ 99.8 bilhões (2010)
● Lucro: US$ 14.8 bilhões (2010)
● Valor de mercado: US$ 204.6 bilhões (maio/2011)
● Valor da marca: US$ 64.727 bilhões (2010)
● Presença global:
170 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 436.000
● Segmento: Tecnologia
● Principais produtos: Serviços de IT, servidores, hardware e software
● Ícones: O logotipo e a cor azul
● Slogan:
Let’s build a smarter planet.
● Website: http://www.ibm.com/

O valor
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca IBM está avaliada em US$ 64.727 bilhões, ocupando a posição de número 2 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. A empresa também ocupa a posição de número 18 no ranking da revista FORTUNE 500 (empresas de maior faturamento no mercado americano) de 2011.

A marca no Brasil
Em 1917, a IBM iniciou suas atividades no Brasil, ainda com o nome de Computing Tabulating Recording Company. Nesse mesmo ano, o Sr. Valentim F. Bouças, representante da CTR, firmou o primeiro contrato para a prestação de serviços com a Diretoria de Estatística Comercial. Com os excelentes resultados obtidos, o governo brasileiro resolveu contratar a CTR para o censo demográfico de 1920. Nesse mesmo ano chegaram ao Brasil as primeiras máquinas impressoras. O ano de 1924 marcou o estabelecimento definitivo da IBM Brasil. Através de decreto do então presidente Arthur Bernardes e com o nome de International Business Machines Co. of Delaware, a IBM, sempre representada pelo Sr. Valentim Bouças, estendeu suas atividades a diversas e importantes organizações privadas da indústria e do comércio. Em 1939, Thomas Watson inaugurou o prédio da fábrica IBM, em Benfica, no Rio de Janeiro. Esta foi a primeira fábrica da empresa na América do Sul. De 1950 a 1954 foram introduzidos novos equipamentos e as primeiras calculadoras eletrônicas, que provocaram marcantes transformações nos métodos de ensino e de produção. Em 1959, a IBM fez o ano da revolução dos sistemas administrativos das empresas brasileiras, através do lançamento do primeiro computador eletrônico: um RAMAC 305. Nos anos seguintes, simultaneamente ao aperfeiçoamento de sua política de pessoal, a IBM do Brasil, denominação adotada em 1960, passou a viver a era dos computadores eletrônicos. Em 1971 inaugurou a fábrica de Hortolândia, iniciando uma nova fase tecnológica.


A década de 80 foi marcada por importantes acontecimentos: início da produção das máquinas de escrever elétricas 196 e 196C (1981), início da instalação sistema de correio eletrônico PROFS, criação em São Paulo do Centro de Tecnologia de Software (1984) e instalação em Sumaré do Centro de Tecnologia de Hardware (1985). Nos últimos quatro anos, a IBM Brasil mais do que dobrou de tamanho. Hoje, o Brasil possui um dos quatro centros de prestação mundial de serviços da IBM. Para poder atender clientes de qualquer lugar do mundo, a subsidiária brasileira faz parte do que a empresa define como “Global Delivery Model”, modelo integrado de prestação de serviços que garante custos competitivos, excelência e padronização de processos. Em mais de nove décadas de presença no Brasil, a empresa acompanhou, e muitas vezes orientou, as mudanças e avanços da indústria. Hoje, a IBM possui soluções de ponta a ponta, adequadas a empresas de todos os portes e perfis de negócios.


A marca no mundo
As atividades da IBM se estendem hoje por mais de 170 países, com fábricas e laboratórios funcionando em 15 deles. Essas fábricas estão integradas aos laboratórios de desenvolvimento na França, Alemanha, Espanha, Itália, Holanda, Suécia, Inglaterra, Brasil, Argentina, Colômbia, México, Canadá, Austrália e Japão. São 29 laboratórios de desenvolvimento que, juntamente com os 8 centros de pesquisa pura, onde são realizadas as mais sofisticadas pesquisas tecnológicas, estão localizados em quatro continentes. Hoje, por exemplo, o desenvolvimento e a fabricação de chips está a cargo da unidade de Nova York, nos Estados Unidos. A criação de softwares fica a cargo da Índia. Na China, gerencia-se a cadeia de fornecedores. O Brasil realiza grande parte do trabalho financeiro e ainda é, em Hortolândia, um importante pólo de prestação de serviços, uma área que responde por 54% da receita da empresa. No segmento de servidores, mains frames e software a IBM atua com destaque global. A empresa, que em 2010 faturou quase US$ 100 bilhões, emprega mais de 436 mil funcionários (carinhosamente chamados de “IBMers”) no mundo inteiro.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 9/5/2011

6 comentários:

Camila disse...

qual é o slogan atual da IBM ???

Luiz Eduardo Buccos Silveira disse...

A IBM não tem um 'slogan' e sim uma visão de negócio 'contruir um planeta mais inteligente'.

Os mesmos problemas continuam nos desafiando. A IBM deseja que os negócios cresçam de
uma maneira eficiente e sustentável, que a sociedade se sinta mais segura ao andar pelas ruas, gaste menor
tempo possível no trânsito e evite o desperdício de água e energia. Queremos viver numa cidade mais inteligente.

A missão da IBM é usar a tecnologia para construir pilares sólidos e eficientes
tanto para ajudar a reduzir a complexidade dos negócios das empresas, como para a vida em
sociedade.

Espero que ajude
LE - Marketing IBM Brasil

Thais disse...

Ola, Sou universitaria do curso de Administraçao, e estou fazendo um estudo de caso sobre a historia da IBM, como ela superou a crise e qual o motivo da troca de nomes de CTR para IBM, gostaria se possivel que vocês me desses algumas opinoes.
Obrigada!
Thais Rayanna

Anônimo disse...

boa tarde,
tem em um livro muito bom, chamado a estratégia do oceano azul, lá contém algumas informações sobres as estratégias adotadas pela ibm antigamente e se não estou enganado comenta também o porquê da mudança de nome.

Wagner disse...

Pelo que sei não teve um motivo específico. Watson só mudou o nome porque visava o crescimento e diversificação das máquinas que eram desenvolvidas. Dessa forma, o nome da empresa não faria mais sentido. Não fabricariam mais apenas máquinas de cartões (tabuladoras), e sim uma variedade de máquinas de processamento de dados como calculadoras e máquinas registradoras. E também porque Watson era visionário e pretendia expandir os negócios para além das fronteiras, por isso pediu que o logo também fosse alterado para o globo terrestre.

Eu também sou um IBMer, hehehe.
Wagner Antonio Silva
IT Specialist HV Software.

aline Dourado disse...

Gostaria de saber o que diferencia a IBM das organizações burocráticas e em relação aos freelancers que prestam serviços para a empresa. obrigada.